«Sete anos bons» de Etgar Keret :: Opinião

sete_anos_bonsAterrei neste «Sete anos bons» um pouco ao acaso, mas confesso que ao fim de poucas páginas estava rendida ao humor e à narrativa um pouco peculiar deste autor. Etgar Keret é uma das vozes mais populares entre escritores israelitas contemporâneos e está fortemente traduzido. Bastante aclamado e requisitado, as opiniões sobre os seus (essencialmente) contos são muito abonatórias, destacando criatividade e sacarmos na forma como retrata o quotidiano.

Confesso que o conto “(In)sinceramente seu” me convenceu e me motivou para ir ouvir a sessão que decorreu em Lisboa a 4 de Novembro. Fui não só para o lançamento deste seu primeiro livro editado em Portugal, mas também para ter um autógrafo fictícia no meu livro. (Obrigada também a ti, Renata!)

“O que se pode escrever no livro de um desconhecido, que pode ser alguém desde um assassino em série a um Justo entre as Nações? «Com amizade» cheira a falsidade; «Com admiração» não é sincero; «Com os melhores desejos» soa demasiado familiar; e «Espero que goste do meu livro!» distila bajulação…Por isso, há precisamente dezoito anos, criei o
meu próprio género: dedicatórias fictícias. Se os livros são eles próprios ficção pura, porque é que as dedicatórias têm de ser verdadeiras?”

Ficção, realidade, Israel, bombas e atentados, guerra, critica social e política, preocupações e inquietações, paternidade e casamento, família, doença, questionamento do futuro, piadas, amigos, desculpas e estados de humor, bigodes e Angry Birds, o leque não podia ser o mais variados. Keret revela de tudo, sem propriamente se debruçar sobre nada, mostrando esse traço tão rigoroso da vida quotidiana. Temos dias em que encerramos em nós todas as preocupações que conseguimos suportar, temos outros em que somos capazes de fingir ser queijo ou pastrami e ficcionar a guerra que nos rodeia, já outros, apetece-nos refugiar dentro de casa e esquecer que o mundo existe.

“Sob a adorável aparência dos divertidos animais e da sua voz doce, o Angry Birds é de facto um jogo que corresponde perfeitamente ao espírito dos fundamentalistas religiosos e dos terroristas. (…) E isto sem falar na história dos porcos: um animal imundo que, na retórica islâmica fanática, é frequentemente usado para simbolizar raças heréticas cujo destino deve ser a morte.”

 

 

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