«Um estado selvagem» de Roxane Gay – Opinião

Há muito que queria ler este livro e há muita mais ainda que não me acontecia ler um livro tão sofregamente, sem parar para pesquisar fosse o que fosse a que o livro apelasse. Li, sublinhando apenas uma frase: “Os úteros das suas mães eram países férteis em si mesmos.” E no final, é a frase…

«Princípio de Karenina» de Afonso Cruz :: Opinião

O princípio de Karenina ou a imperfeição que é querer medir a felicidade.  “A imperfeição salvar-me-ia com igual intensidade e na mesma medida com que me faria sofrer” É nesta medida dúbia, tendo na imperfeição a salvação, que um homem narra a sua história, numa longa carta de apresentação, à filha que não viu crescer. Explicando-lhe “uma orientação…

Encontro de Março

Março, marçagão, tarde de Verão e uma pilha de livros que não nos cabe numa mão!   Casa cheia para receber algumas novidades deste primeiro trimestre de 2019, mas muitas outras sugestões que não se prendem aos livros dos escaparates. Ainda assim, a conversa foi acesa quando se tocou nos temas que o novo livro…

«Onze tipos de solidão» de Richard Yates :: Opinião

Todos os contos têm particularidades interessantes, mas confesso que «O Sofredor» arrebatou-me, pensar em alguém que havia nascido para sofrer e apreciava esse papel e o desempenhando grande parte da vida, para ser um bom perdedor, deixa qualquer um a pensar. 

“Quando Walter Henderson tinha nove anos, durante algum tempo pensou que o auge do romance era cair morto (…) 

Ninguém conseguia igualar o abandono com que ele atirava o corpo mole pela ladeira abaixo. (…)

Não havia certamente como negar que o papel de um bom perdedor tinha sempre exercido sobre ele uma atracção desmedida.”

2019 e os reencontros

2019 já arrancou e os nossos encontros também! Já celebrámos seis anos e continuamos a querer mais: mais livros, mais reuniões e horas, muitas horas à conversa. Tal como foi o caso deste encontro de Fevereiro, onde a conversa se sobrepôs aos livros, sendo normalmente sempre culpa deste ou daquele livro que nos leva a…

«Filho Único» de Rhiannon Navin :: Opinião

Entramos por este drama adentro fechados num armário, escondidos como quem fez asneira ou quem não quer ser apanhado. Tacteamos no escuro, mantemos o silêncio e quase não respiramos. Podia ser uma brincadeira, mas não é. Começamos nesse armário com medo e seguimos por outro armário para combater o luto e a vida que se complica…