Voar no Quarto Escuro – Márcia Balsas

47964693._SY475_Pensei que o facto de conhecer a Márcia me iria colocar alguns obstáculos em relação à emissão de uma opinião sobre este “Voar no quarto escuro”. Receio completamente infundado. Esta estreia da Márcia tem nota máxima por direito próprio!

Há bastante tempo que não levava um livro de fio a pavio em tão curto espaço de tempo mas todas as mulheres que o habitam e os seus dilemas ocuparam insistentemente o meu pensamento.
Desfechos algo previsíveis para umas, totalmente inesperados para outras… porque na realidade cada pessoa é um mundo e nunca sabemos por que, de facto, está a passar ou passou quem está ao nosso lado…
Márcia, aguardo novas histórias!

“Quando nem a leitura a salva, a queda no poço escuro é garantida. É sugada com força. Para o fundo” (p. 89)

“«Nunca» é outra palavra curiosa, usada tantas vezes de modo leviano, sem perceção do seu sentido limite. Talvez por não haver sentido no fim, porque quando se chega lá, ao fim, não se tem essa consciência. Depois do fim, nada. Como ser consciente de que tudo acabou se já não se é? Antes, imediatamente antes, talvez se perceba o real significado de «nunca», mas, até lá, é mais uma palavra atirada fora.” (p. 180)

“Conheço essa sensação de viver estando morta. As pálpebras pesam tanto que é impossível abri-las. A dormência alastra-se do pescoço ao resto do corpo. Estou fechada cá dentro.
Sou eu e a minha prisão, agora.
Até acordar cercada por grades, algures.” (p. 192)

 

Minotauro, 2019

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