Leituras no feminino, uma Roda Extra

RL-MC-mulheres

No passado sábado reunimos para falar de escrita no feminino, de autoras e dos temas recorrentes. Não apurámos ao certo se: traição, adultério, amor, solidão e especulação dominam os enredos, mas uma coisa é certa, a conversa esteve animada!

A reunião decorreu na Mercearia Criativa, à qual, leitores, vos aconselho uma visita para degustações variadas.

Das nossas incursões gastronómicas, a Roda recomenda:

  • scones de batata doce barrados com gordices (aka doces caseiros de frutas da época);
  • chá de tomilho e limão
  • chocolate quente, ao género, faça você mesmo
  • bolos à fatia
  • e uma vasta carta de vinhos

Têm todos os motivos para lá irem, pois a Mercearia tem imensa oferta.

RL-MC-mulheres2.jpg

Falando propriamente da sessão em si, mesmo sendo poucas, a participação foi variada. Houve quem trouxesse livros que representaram “as mulheres da minha vida”, duas das nossas rodistas escolheram assim: Alicia Vieira, Pear S. Buck, Sophia de Mello Breyner Andresen, Daphne du Maurier, Ana Teresa Pereira, Rebecca Solnit ou Margaret Atwood, entre outras que se repetiram durante a conversa.

Outra sugestão interessante foi apontar Gillian Flynn na construção de heroínas que fogem ao modelo de policiais escritos por outras mulheres, e inevitavelmente se tocou no nome de Agatha Christie. O policial pode por vezes parecer um género menor, mas não aqui entre as nossas leituras.

A conversa viajou a largos passos e atravessou continentes, nomes como Hiromi Kawakami, para nos dar a típica atmosfera nipónica contemporânea, por contraste com a cultura e o papel da mulher no Ocidente, como tão bem descreve Meg Wolitzer nos seus romances, onde a expectativa, a solidão e a traição estão sempre presentes. E logo se voltou a falar de Pearl S. Buck, com inúmeros livros que atravessam a história da China e por sinal a história da mulher nesse mesmo registo cultural.

De solidão e de períodos conturbados, sejam eles individuais sejam colectivos da história de um país, esticámo-nos no assunto, tentando perceber que aura tão pessimista continua a pairar na escrita de autores nacionais e daí lá voltámos à aura tão própria da escrita de Sophia. Ou até de Ana Teresa Pereira e do quanto os livros de uma autora nos podem, e levam, aos livros de outra ou de outras.

O conflito e a guerra, a devastação e a miséria humana foi outro dos temas abordados e nomes como Dubravka Ugresic, Chimamanda Ngozi Adichie ou até a mais recentemente publicada em Portugal, Ayobámi Adébáyò, foram alvo da nossa atenção. A literatura mais a Leste ou para os confins de África tem sido recorrente em várias outras reuniões. A História cruza-se com enredos familiares ou desaires amorosos e isso preenche os gostos de muitos do nossos rodistas, juntando ficção, política e História, ou melhor dizendo, entretenimento e aprendizagem.

A conversa deu ainda mais voltas, tal como as voltas que a escrita dá para abranger tudo o que o feminismo abrange, mas aqui ficam as principais e a habitual lista de sugestões:

Ana Borges: “Em parte incerta” de Gillian Flynn

Cris Rodrigues: “Departamento de especulações” de Jenny Offill

Fernanda Palmeira: Poesia reunida de Sophia

Isabel Castelo Branco: “E se nos encontrarmos de novo”, de Ana Teresa Pereira

Renata Carvalho: “O Museu da Rendição Incondicional” de Dubravka Ugresic

Vera Sopa: “A Persuasão Feminina” de Meg Wolitzer

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s