Perguntem a Sarah Gross – João Pinto Coelho

Perguntem a Sarah GrossNa maioria das ocasiões, vou alinhavando ideias ao longo da leitura e depois, quando chega a altura de escrever a minha opinião, trato de juntar as peças e tentar montar o puzzle. Mas, por vezes, acabo um livro e não faço ideia do que vou escrever sobre ele. Estou desde ontem, quando terminei Perguntem a Sarah Gross, a tentar perceber como explicar o que este livro me trouxe, o que me acrescentou enquanto leitora. E mesmo agora, quando começo a conseguir juntar umas palavras a seguir às outras, não estou certa que o vá conseguir.

Antes de mais, queria dizer que já tinha este livro por ler há mais de dois anos. Comprei-o por ler boas recomendações, e continuei a tê-las ao longo deste tempo. No ano passado, fui ter com o autor à Feira do Livro de Lisboa e pedi-lhe um autógrafo. Mas tenho para mim que há livros que nos vão escapando entre as mãos porque a elas querem voltar no momento certo. Este livro escolheu-me agora, e agora foi o momento certo.

Acho que posso afirmar com alguma segurança que não é muito comum um escritor português escrever ficção sobre / decorrida no Holocausto. João Pinto Coelho escolheu essa via – arriscada, quanto a mim – com a segurança de quem desbrava o seu caminho rumo à (quiçá) inalcançável compreensão do que se passou naqueles anos terríveis, no aproximar da metade do século XX. O livro não é sobre o Holocausto, note-se, mas as suas garras não mais o largam assim que dá um ar da sua graça.

Aprendi bastante com este livro. A nível histórico, porque não sabia muito sobre a realidade das comunidades judaicas polacas no período que antecedeu a 2.ª Guerra Mundial. É notória a pesquisa intensa que precedeu este livro, a tal ponto que quase se tornou desnecessário apontá-lo nos agradecimentos finais. Mas a minha aprendizagem não se limitou a questões históricas. Houve um acontecimento neste livro que me fez doer o coração, que me rasgou por dentro, e que me fez crescer enquanto mulher e mãe, porque me fez sentir agradecida por cada momento de felicidade que vivo. Acho que será difícil alguma vez conseguirmos imaginar uma parte infinitesimal do sofrimento por que as vítimas do Holocausto passaram, mas este livro faz-nos chegar lá perto.

Dito tudo isto, só posso mesmo recomendar: vão descobrir quem foi a Sarah Gross e a vida incrível que viveu. Escreve-se bem em português, e que bom é perceber isso.

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