Papéis Diferentes – Tom Hanks

s277133799510180954_p483_i8_w640Ponto prévio: Tom Hanks é um dos meus atores favoritos. Quem consegue esquecer os seus desempenhos em, por exemplo, Filadélfia ou Forrest Gump? Em papéis mais recentes, adorei vê-lo em Captain Phillips e em Sully, ambos baseados em histórias reais de heróis improváveis. Papéis Diferentes é a primeira incursão de Tom Hanks na ficção e, perante esta publicação, a maior curiosidade era descobrir se ele se conseguia sair-se tão bem na vertente literária como o tem feito na sua carreira no cinema. O título da edição portuguesa parece-me particularmente feliz, evocando este novo papel assumido por Tom Hanks, enquanto o associa também a um dos pontos de contacto entre os vários contos incluídos no livro, as máquinas de escrever.

O conto de abertura de Papéis Diferentes é maravilhoso: em Três semanas esgotantes, acompanhamos a relação intensíssima entre um homem que gosta da vida pacata e uma mulher que não o deixa sossegar. As situações caricatas sucedem-se e não me foi difícil imaginar o próprio autor a desempenhar no grande ecrã o papel do protagonista desta história. Logo desde o primeiro conto, encontrei na escrita de Tom Hanks aquelas doses certas de humor e drama que associo ao ator e à pessoa. As personagens deste primeiro conto regressarão em mais dois, juntando-se ao autor de uma coluna num jornal local que luta pelo seu lugar na era digital, Hank Fiset, como personagens recorrentes.

As máquinas de escrever são, como já referi, um elemento presente em todas as narrativas, consubstanciando, assim, uma espécie de homenagem a este objeto que Tom Hanks coleciona desde 1978 (e até nos dá 11 razões para as usar!). Por vezes, as máquinas de escrever são meros objetos decorativos referidos de passagem; noutros, como em Estas são as reflexões do meu coração, assumem um papel central. Este conto é, na minha opinião, um dos melhores da coletânea, invocando um tempo de silêncio nesta era de ruído digital.

Os contos incluídos em Papéis Diferentes são diversos, em temáticas, estruturas e géneros. Não existe propriamente um tema central, uma estrutura típica ou um género preferido: Fiquem connosco, por exemplo, aparece como um longo guião cinematográfico; a ficção científica dá o ar da sua graça em contos como O passado é importante para nós ou Alan Bean mais quatro. O risco que este tipo de abordagem acarreta é de assinalar, ainda que, na minha opinião, nem sempre tenha valido a pena corrê-lo.

Nem todos os contos em Papéis Diferentes têm o mesmo nível de interesse e alguns parecem merecer finais com maior impacto no leitor, depois de premissas muito prometedoras. Mas a verdade é que tem histórias muito boas, provando que Tom Hanks tem talento e imaginação, e por isso acaba por ser uma leitura recompensadora. Sem dúvida, vou ficar atenta a futuras publicações do escritor Tom Hanks, com a certeza que a margem de progressão é enorme.

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