Fora do Mundo – Michael Finkel

35154099Em 1986, o jovem de 19 anos Christopher Knight entrou numa das florestas do estado norte-americano do Maine e achou que era um excelente local para ficar. E assim foi, ao longo de 27 anos. Com um misto de habilidade e sorte, Christopher Knight conseguiu, ao longo de quase três décadas, permanecer escondido da civilização que estava apenas a três minutos a pé do local a que chamou lar. O eremita de North Pond, como passou a ser conhecido pela população local que via as suas casas serem constantemente assaltadas por Knight para obtenção de bens alimentícios e de outros que se destinavam a proporcionar-lhe algum conforto (como bilhas de gás ou pilhas), foi finalmente apanhado em 2013 por um guarda florestal que vivia mais ou menos obcecado com esta figura e com a perspetiva de o levar à justiça.

Depois de Knight ser apanhado, foi notícia em vários jornais e foi assim que o jornalista Michael Finkel, autor deste livro, tomou contacto com esta história. A solidão em que Knight viveu durante tanto tempo era algo que Finkel queria descortinar, pois ele próprio encarava o silêncio como fundamental na vida constantemente frenética que se vive nos dias que correm. E foi por isso que entrou em contacto com o eremita e falou com ele por diversas vezes enquanto esteve preso, sendo essas conversas a base fundamental da história que conta neste livro.

O ser humano estranha, naturalmente, modos de vida completamente díspares do seu. Muitos, de imediato, apelidam essas pessoas de loucas ou, na melhor das hipóteses, estranhas; outros, como Michael Finkel, optam pela compreensão e pela tolerância e tentam mostrar que, no final de contas, não há um modo certo de viver. Há, sim, a procura da felicidade e da liberdade, e cada um poderá tentar fazê-lo da forma como achar melhor. É fácil, numa primeira instância, rotular Christopher Knight de ladrão e imoral; afinal de contas, viveu 27 anos a praticar pequenos furtos e a criar insegurança nas pessoas que moravam perto da “sua” floresta. E é importante referir que, em nenhum momento, me pareceu que Finkel pretendesse desculpabilizá-lo ou justificar esses atos. O próprio Knight sabia que o que estava a fazer era errado e esse aspeto do seu isolamento do mundo foi mesmo aquele de que mais se arrependeu. No final de contas, pareceu-me que achou que não tinha alternativa.

Fascina-me a forma como encaramos o mundo, como formamos as nossas opiniões e tudo o que para isso contribui. Gosto de me considerar uma pessoa tolerante e compreensiva, ainda que ache que todos os dias é preciso trabalhar nesse sentido. Gosto cada vez menos de julgar as opções dos outros ou de achar que sei como devem viver as suas próprias vidas. Acho que a nossa felicidade é inversamente proporcional à importância que damos ao que os outros pensam ou dizem sobre nós. A forma como encaro o mundo, hoje, teve o contributo decisivo de muitos dos livros que li até hoje. Ajudaram-me (e continuam a ajudar) a viajar, a conhecer outras pessoas, a pensar sobre este mundo em que vivo. Fora do Mundo foi mais uma das pedras que usei para construir este castelo, em permanente formação, que é a minha vida. Obrigada, Cris, pelo empréstimo.

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