É assim Que A Perdes – Junot Díaz

9789896412999Não fosse dar-se o caso de a Márcia ter falado sobre este livro e ter-me-ia, muito provavelmente, passado despercebido.

“É assim Que A Perdes” é um livro único, daqueles que ficará na estante, na memória.

Junot Díaz consegue a magia de transmitir, em 9 contos que se interligam, encontros e desencontros, amores e desamores, encantos e desencantos, perdas “que se querem perder”, perdas de “quem se quer perder” e de “quem não se deixa perder” e de quem (se) perdeu para sempre.

Neste livro acompanhamos os amores e os humores de Yunior… pelas quentes origens dominicanas, no sentido estrito e no sentido figurado… pela gélida América, também em ambos os sentidos… pelo pai, pela mãe, pelo irmão, pelos amigos e, sobretudo, pelas mulheres, as suas e as que habitam o seu mundo, os amores platónicos e os amores vividos e aqueles que sendo uns “deveriam” ter sido outros.

Os sentimentos de euforia e solidão, as emoções, os envolvimentos, e a perda, a perda sempre omnipresente, o peso da perda que só se descobre depois de ter acontecido. Mulheres que se sucedem para fazer esquecer a anterior, ou a primeira, ou a única… Os quês e os porquês, as diferentes razões das perdas de Yunior. As relações de amor/ódio, inveja e o mais puro dos amores.

Um livro extraordinário em que a crueza da linguagem não soa estranha nem desenquadrada. Não será, certamente, um livro de consensos, e poderá ser, até, para algumas pessoas, um livro de choque pelas palavras duras e pelo calão utilizado. Um livro de que gostei muito.

Um livro cuja sinopse descreve na perfeição, talvez a melhor sinopse que já li.

 

Excertos

“ Claro que tu a conhecias; era tua vizinha, dava aulas no liceu de Sayreville. Mas só nos últimos tempos é que tinhas reparado realmente nela. Na vizinhança havia muitas mulheres de meia-idade como a Menina Lora, solitárias e destruídas por todo o tipo de catástrofes, mas ela era uma das poucas que não tinham filhos, que vivia sozinha e que ainda tinha um ar jovem. Alguma coisa devia ter acontecido, especulava a tua mãe. Na cabeça dela, uma mulher sem filhos só se podia justificar por alguma calamidade descomunal.
Se calhar não gosta de crianças.
Ninguém gosta de crianças, garantiu a mãe. Isso não impede que as pessoas tenham filhos.
(…)” (p. 114)

“(…) E depois, numa noite de junho, rabiscas o nome da ex e: A meia-vida do amor é para sempre.
Acrescentas duas ou três coisas. (…)
É um começo, dizes em voz alta.
E é isto. Nos meses seguintes, atiras-te ao trabalho, porque isso infunde uma espécie esperança, uma espécie de graça – e porque no fundo do teu coração de mentiroso infiel sabes que às vezes um começo é tudo o que alguma vez teremos.” (p. 153)

 

Sinopse

O novo livro de Junot Díaz, É assim Que A Perdes, é um conjunto de narrativas ligadas entre si sobre o amor — amor apaixonado, amor ilícito, amor em extinção, amor maternal — e contadas através da vida dos habitantes de New Jersey oriundos da República Dominicana e da sua luta para encontrar um ponto de encontro entre os seus dois mundos.

O livro desvenda a inevitável fragilidade do coração humano. São histórias que nos recordam que a paixão pode triunfar sobre a experiência e que o amor, quando nos atinge, tem sempre algo de eterno.

 

Relógio D’Água, 2013

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2 pensamentos sobre “É assim Que A Perdes – Junot Díaz

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