Ronda das mil belas em frol – Mário de Carvalho

31870467Há variadíssimas razões que nos levam a escolher ler um livro. Cada um tem as suas, e tal como as opiniões, são próprias e inquestionáveis. Uma das muitas razões pelas quais escolho uma leitura é o facto de ter desencadeado alguma polémica ou ‘anti-corpos’… é, claramente o meu lado ‘do contra’ a falar mais alto. Se gera ou gerou polémica então é para ler, para poder opinar e apreciar se, para mim, justifica a celeuma.

“Ronda das mil belas em frol” é, nitidamente, um destes casos. Li várias opiniões sobre este conjunto de contos / relatos (?) e a encarniçada troca de ‘mimos’ que gerou, entre autor, críticos e leitores. Relato da realidade ou obra de ficção, narrador ou alter-ego, na verdade, agora que terminei a leitura não me interessa verdadeiramente apurar… confesso que até me espanta toda a polémica que gerou. A própria sinopse poderá ter contribuído. Na realidade sucedem-se 16 capítulos que relatam casos mais ou menos fugazes, mais ou menos subreptícios, descritos sem qualquer sombra de crueza.

Mário de Carvalho marca este livro com a sua inconfundível elegância de escrita e em circunstância alguma recorre a vernáculo.  De “Ronda das mil belas em frol” faz-se um leitura corrida, pouco marcante, de um autor que leio intermitentemente, mas do qual recordo, sim, “Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde”, “Era Bom que Trocássemos Umas Ideias sobre o Assunto” ou “Fantasia para Dois Coronéis e Uma Piscina”.

Discorrendo sobre tanta inflamação, tamanha polémica e a apregoada ‘senilidade’ como razão para a escrita deste livro, eco do que se seguiu ao lançamento do mais recente Vargas Llosa (cuja leitura se seguirá em breve), só me ocorre pensar em empolamento, sobretudo face a obras crúas de temática semelhante como as de Bukowski e Miller.

 

Sinopse

Eis um livro de ficção sobre sexo. Todas as histórias nele contidas narram percalços, espantos e sobressaltos de ligações íntimas entre homens e mulheres. O que se desvenda, o que se oculta. Rasgos perversos. Permanências e rupturas.

Nem sempre se encontra o que se espera, nem se espera o que se encontra. A variedade é avassaladora. A diferença inevitável. Neste jogo de corpos enlaçados, não poucas leitoras ficarão admiradas com certo olhar masculino. Talvez passem a conhecer ainda melhor outras mulheres. E os leitores também não perdem nada em saber o que pode surpreendê-los nas voltas do mundo.

 

Porto Editora, 2016

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