A Seca – Jane Harper

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De regresso, após uma ausência sem motivo algum, para partilhar a minha opinião sobre os livros que leio.

A Seca não é de todo uma seca. Talvez seja o melhor policial que me lembro de ter lido. E não se trata de uma frase de promoção. Apenas, adoro quando a história é tão absorvente, mas tão absorvente, que nos poucos momentoss livres que tenho me esqueço de tudo para mergulahr na leitura e acompanhar o desenrolar dos acontecimentos que, nesta narrativa nem antecipo.

Atmosférico é uma palavra referida na contracapa, que se aplica. A seca. A desolação e a dureza pura e dura da terra que se estende a perder de vista em que a chuva é uma benção. Uma cidade pequena, boatos grandes. Um crime hediondo que parece estar relacionado com um mistério antigo. Uma trama tão equilibrada e bem contada que se torna exemplar, principalmente se se considerar que é uma estreia. Mal posso aguardar pelos próximos livros desta autora.

O inicio agarrou-me de imediato. O primeiro parágrafo bastou. 

“Não era a primeira vez que a quinta via morte, e as moscas-varejeiras não faziam distinção. Para elas, havia pouca diferença entre a carcaça de um animal e o cadáver de uma pessoa.”

O meu receio era de que a história fosse tenebrosa, mas não, é eficaz e consistente, e como tal, intensa e apaixonante. A investigação segue todos os passos que Falk, um policial,  filho da terra escorraçado por estar ligado ao mistério do passado, deveria seguir oficiosamente. A cidade é uma personagem que Falk procura compreender. As memórias interligam os factos. E novos dados se revelam paulatinamente. 

Enfim, um livro para partilhar e perservar. 

Sinopse:

No calor sufocante do deserto, uma pequena vila é abalada por um crime inexplicável. Luke Hadler, filho da terra e amado por todos, matou brutalmente a mulher e o filho, tendo-se suicidado em seguida. Dos alegres retratos de família apenas sobreviveu a pequena Charlotte, de 13 meses.
Ninguém parece duvidar da explicação oficial para o crime exceto os pais de Luke, que tentam convencer o amigo de infância do filho, Aaron Falk, a manter a mente aberta a outras possibilidades.

Aaron está relutante. Após anos de ausência, o regresso à terra natal está a revelar-se duro mas as memórias da infância partilhada com Luke falam mais alto. Embora dividido, ele aprofunda a investigação e, pouco a pouco, começa também a duvidar da acusação que paira sobre a honra do amigo. Mas há algo ainda mais assustador: estas mortes ameaçam desenterrar o velho segredo que ditou o fim da inocência de Aaron e Luke tantos anos antes. Sob um sol escaldante, a claustrofóbica vila assolada pela seca pulsa de tensão. Se Luke é inocente, estará o culpado pela morte da sua família a viver entre eles? Todos se conhecem e ninguém seria capaz de semelhante atrocidade. Certo?

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