As Mentiras que as Mulheres contam – Luís Fernando Veríssimo

35445017Luís Fernando Veríssimo é, habitualmente, dotado de um sentido de humor excecional. De entre os seus livros o meu preferido continua a ser “As Mentiras que os Homens contam”.

Talvez por, como é óbvio, o autor conseguir entrar melhor numa cabeça masculina do que numa feminina, as minhas expectativas em relação a este “As Mentras que as Mulheres contam” tenham saído um pouco defraudadas.

De facto apesar de alguns dos contos terem uma boa dose de humor, raros são os que têm as mulheres na primeira pessoa e muitas vezes as histórias giram em torno de homens.

Quanto a mentiras, também não encontramos muitas neste livro.

De qualquer modo Veríssimo é sempre Veríssimo e o livro vale pela correção linguística e pela leveza e descontração com que se lê.

Uma obra que proporciona uns momentos bem passados.

 

Excertos

“(…) Homem não tem ciúmes porque ama. Ciúmes não é uma questão entre o homem e a pessoa que ama. Ou é, mas a pessoa que ele ama é ele mesmo. Ciúmes é sempre entre o homem e ele mesmo .” (p.18)

“(…) – Nós fomos bobas, isso sim – continua Cinderela. – A Rapunzel continuou com suas tranças porque seu príncipe encantado a proibiu de cortar os cabelos e olhem o que lhe aconteceu. Se já existisse o feminismo no nosso tempo, nossas histórias seriam outras.

– Certo! Eu botava os anões a trabalhar para mim. E não me sentiria comprometida com o príncipe só porque o beijo dele me ressuscitou. Ele não me compraria por tão pouco!
– E eu, em vez de ficar em casa sendo maltratada pela minha madrasta e as duas irmãs, ia sair, arranjar emprego, estudar comunicação, sei lá. Com trabalho, perseverança, decisão… e a varinha mágica, claro… faria uma bela carreira e depois compraria um príncipe ou dois. (…)” (p. 104)

“(…) – Vocês já notaram como o Miro é chato?
– É, coitado.
– Não, o Miro é muito chato. O Miro é extremamente chato. O Miro é, provavelmente, o homem mais chato do mundo!
Claro. Uma extremófila não se contentaria com alguém apenas normal. Tinha que ser alguém radicalmente normal. Um chato até às últimas consequências. E até hoje, quando o Miro diz coisas como «Eu, se não durmo minhas oito horas por noite, fico imprestável», a Verinha olha em volta, radiante, desafiando alguém da turma a produzir um chato mais chato do que o seu.” (p. 168)

 

Sinopse

Tudo começa com a mãe, com o «Olha o aviãozinho!» à mesa do almoço. É a mentira inaugural, que se vai desdobrando noutras ao longo da vida. Mas calma lá. Nem sempre a ideia é disfarçar um caso ou ocultar um segredo. Por vezes são apenas eufemismos, ambiguidades, desculpas educadas — tudo com o objetivo um pouco mais nobre de preservar a harmonia social.

Nas histórias de As Mentiras Que os Mulheres Contam aparecem, por exemplo, a senhora que se tenta enganar a si mesma fazendo uma plástica atrás da outra e a moça que mente na idade — para mais! — apenas para ouvir que ainda está nova. Há dramas, comédias, tragicomédias — e até histórias que terminam em tragédia. Mas tudo permeado pelo humor irresistível de Verissimo.

 

D. Quixote, 2016

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