Uma parte errada de mim – Paulo M. Morais

uma-parte-errada-de-mimSe eu fosse multimilionário atribuiria bolsas de felicidade. Esta é a essência do livro do Paulo! “Uma parte errada de mim” é um livro sobre a busca da felicidade, é assim que o vejo, que o sinto.

“Uma parte errada de mim” fez-me sentir humana… sim, sou humana…
Não, não pelo seu tema, não pelas palavras do Paulo, mas porque me fez confrontar com a negação. Tinha dito que não iria comprar este livro – comprei… Tinha dito que, mesmo tendo-o comprado não o leria – li-o… Tinha dito que não queria aprofundar mais o tema, que por demais me é doloroso – entrei nele. Em relação a este livro fiz tudo o que disse que não faria… afinal sou humana…

Há quem me aponte… o livro está cheio de lugares comuns! E depois? Não é a nossa vida cheia de lugares comuns? Ou será que só temos rasgos de genialidade e originalidade? São os lugares comuns que nos conferem humanidade, que nos dão identidade, que nos fazem compreender o outro.

Conheço o Paulo de antes dos episódios narrados neste livro, acompanhei os relatos sobre o seu cancro no Facebook… Não queria regressar a tudo o que já vivi vezes demais.

E não, não foi a uma história sobre o cancro que voltei. Pelo contrário, deparei-me com um livro de memórias, mas também um livro sobre a esperança e sobre a vida. Um livro que nos fala sobre como sobreviver… ao dia a dia… de qualquer vida, que nos fala de medo e superação. Um livro que nos incita a crescer, a ultrapassar os nossos limites, a pensar, de um modo que diria quase budista, que não é uma questão de cancro, é uma questão de vida… é no presente que nos devemos centrar.

“Uma parte errada de mim” tem tanto do que penso sobre a vida que por várias vezes pensei que o Paulo me lia o pensamento… “Uma parte errada de mim” é “uma parte certa da vida”. Gostei e recomendo sem receios. Porque nos faz bem pensar.

 

Excertos

“As certezas de que nos queremos rodear são sempre efémeras ou irreais. Abraçarmos este ponto de interrogação gigante sobre o que somos e sobre até quando o seremos não implica viver numa angústia permanente. Aprende-se a dizer que, ao nascermos, a morte é a única coisa que temos por garantida. Nascemos com o direito de morrer. E estarmos conscientes disso, em vez de nos derrubar, pode ajudar-nos a aproveitar melhor o nosso tempo. Ter a consciência da morte pode ser um passaporte para a liberdade.” (p. 14)

“Se eu fosse multimilionário, a minha filantropia seria tornar-me facilitador de sonhos e vocações. Atribuiria bolsas de um ano para as pessoas serem o que sempre quiseram ser. E, no final desse ano, afeiri-se-ia a sua felicidade, e a delicidade gerada nos outros em redor, como modo de decidir a continuidade da bolsa. Em vez de bolsas para criação literária, ou bolsas de investigação, oubolsas de estudo, eu atribuiria bolsas de felicidade.” (p. 216)

 

Sinopse

Em meia dúzia de meses, Paulo M. Morais ficou sem trabalho, terminou um relacionamento de doze anos e viu-se obrigado a vender a casa. Embora derrotado pelas circunstâncias, queria estar à altura de dessa nova etapa da vida e concentrou-se na missão de cuidar da filha pequena e reatar os laços com a avó centenária que o criara. Sobreveio, então, um estranho cansaço, uma exaustão que a médica de família inicialmente atribuiu às pressões de um ano atípico. Podia ser. E, porém, depois de de vários sustos e vinte e quatro horas nas Urgências do hospital, a verdade veio ao de cima: tinha um linfoma.
Durante o tratamento de oito ciclos de quimioterapia (em que a leitura foi a sua grande companhia), começou a escrever sobre a sua experiência. Mas este livro, embora inclua dados sobre os exames, os internamentos ou os efeitos secundários da medicação, está longe de ser um diário da doença; representa acima de tudo uma revisitação do passado, uma reflexão sobre o valor da vida e a real importância das coisas e das pessoas, o elogio do amor e da paternidade, uma busca contínua da paternidade, uma busca contínua das diferentes partes erradas – e certas – que constituem um ser humano que temde confrontar-se diraiamente com o espectro da morte.
‘Uma parte errada de mim’ não é, pois, apenas mais um testemunho sobre o cancro. É uma reflexão magistral sobre a condição humana, escrita com a beleza e a cadência de um romance no qual se aguarda um final feliz.

 

casa das letras, 2016

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