A Célula Adormecida – Nuno Nepomuceno

acelulaadormecidaTinha desde o início um bom feeling sobre este livro, tanto que o comprei assim que saiu e comecei de imediato a lê-lo. Li menos de um quarto até ao evento de lançamento e todo o resto das 577 (!!!) páginas nos dois dias seguintes, de um fôlego. 

Um início suave: começamos por navegar num assustador barco de refugiados que tenta chegar à Europa e percebemos de chofre, num rebate de consciência, o que estamos a permitir que aconteça no Mediterrâneo, o que está a fazer germinar os terroristas de amanhã. Acordamos, quatro anos depois, para um atentado na pacata cidade de Lisboa, na mesma noite em que o futuro primeiro-ministro recém-eleito aparece morto no gabinete e a bandeira do auto-proclamado Estado Islâmico é hasteada no Parque Eduardo VII. Cenário simpático, não acham?

Com uma escrita quase irrepreensível, o autor conduz-nos pela história cruzada de meia dúzia de famílias como se andássemos lado a lado com o professor Afonso Catalão, partilhando os seus passeios, refeições e pesadelos. É ele o fio condutor entre todos os outros intervenientes. Ao contrário de algum sensacionalismo que poderíamos esperar após os acontecimentos iniciais, “A Célula Adormecida” ensina tanto quanto entusiasma. 

A história passa-se durante os 30 dias do Ramadão e quase não nos deixa respirar entre idas à Síria, à Universidade Nova de Lisboa, à Turquia, à redação de Diana Santos Silva e à Mesquita Central de Lisboa. O drama dos Fharan, uma família Síria refugiada em Portugal, a infinita compaixão do imã Yusef, que luta diariamente por uma comunidade muçulmana pacífica e integrada em Portugal, os fantasmas que não largam Afonso desde a Turquia e o momento fulcral da carreira de Diana Santos Silva são-nos contados em paralelo com a história de Istambul, o eclodir da Primavera Árabe, as causas da Guerra da Síria, os fundamentos para a divisão do Islão em Sunitas e Xiitas e o significado de cada uma das partes do Ramadão. Tudo isto com uma mestria que não nos permite largar a história destas personagens de quem já começo a sentir saudades.

Uma história dramaticamente actual, que todos devíamos ler para compreendermos melhor o mundo louco que nos rodeia e aprendermos a ver com os olhos e o coração do outro. 

“A Célula Adormecida é um thriller que mistura religião e terrorismo, sobre como a convivência pacífica entre as culturas é a melhor forma de integração na sociedade, como o ódio destrói, mas o amor constrói.” Foi assim que estas quase 600 páginas foram resumidas pelo Sheikh David Munir, Imã da Mesquita Central de Lisboa na vida real. E esta é a mensagem mais importante de espalhar. 

Sinopse

“Em plena noite eleitoral, o novo primeiro-ministro português é encontrado morto. Ao mesmo tempo, em Istambul, na Turquia, uma reputada jornalista vive uma experiência transcendente. E em Lisboa, o pânico instala-se quando um autocarro é feito refém no centro da cidade. O autoproclamado Estado Islâmico reivindica o ataque e mostra toda a sua força com uma mensagem arrepiante.
O país desperta para o terror e o medo cresce na sociedade. Um grande evento de dimensão mundial aproxima-se e há claros indícios de que uma célula terrorista se encontra entre nós. Todas as pistas são importantes para o SIS, sobretudo, quando Afonso Catalão, um conhecido especialista em Ciência Política e Estudos Orientais, é implicado.
De antecedentes obscuros, o professor vê-se subitamente envolvido numa estranha sucessão de acontecimentos. E eis que uma modesta família muçulmana refugiada em Portugal surge em cena.
A luta contra o tempo começa e a Afonso só é dada uma hipótese para se ilibar: confrontar o passado e reviver o amor por uma mulher que já antes o conduziu ao limiar da própria destruição.
Com uma escrita elegante e o seu já tão característico estilo intimista e sofisticado, inspirado em acontecimentos verídicos, Nuno Nepomuceno dá-nos a conhecer A Célula Adormecida. Passado durante os 30 dias do mês do Ramadão, este é um romance contemporâneo, onde ficção e realidade se confundem num estranho mundo novo e aterrador que a todos nos perturba. Um thriller psicológico de leitura compulsiva, inquietante, negro e inquestionavelmente atual.”

Topbooks, 2016

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