A Partir de Uma História Verdadeira – Delphine de Vigan

apartirdeumahistoriaverdadeiraNormalmente não escrevo sobre os livros de que gosto menos. A verdade é que não costumo prosseguir uma leitura que não me entusiasma, e daí não fazer sentido comentar livros que não terminei.

Neste caso o livro foi lido até ao fim. Apesar de me entediar em algumas partes, a expectativa de um final imprevisto e fascinante manteve-me crente de que valeria a pena prosseguir com a leitura.

Foi-me muito recomendado, as estrelas do Goodreads brilham sem parar, e são frases como estas (contracapa) que me fazem acreditar que há livros que podem fazer uma grande diferença:

“Thriller diabolicamente perverso. Vertiginoso mise en abyme psicanalítico.”

Uma pessoa até esfrega as mãos antes de se atirar ao livro.

Mas na verdade, e infelizmente (para mim), foram quase quatrocentas páginas de uma história que é uma cópia descarada de muitas outras. Ou deverei dizer que tem influências? Só para não parecer tão mal… Menciono apenas três, que foram as que comigo permaneceram durante toda a leitura em flasbacks constantes. Temos diversas cenas do filme Jovem procura companheira, numa versão fraquinha que até mete dó. Há frequentes tentativas de “passear” pelo O Escritor Fantasma, de Zoran Zivkovic, e o mais descarado pastiche (mal feito) vai para Misery, de Stephen King. Até a situação do pé partido é igual.

Bom, mesmo assim continuei. Sempre à espera do grandioso e surpreendente final. À medida que vejo passar as últimas páginas e o texto vai reduzindo para o inevitável fim, apercebo-me que não vai haver espaço para qualquer reviravolta. E assim cheguei à última página, certa de que me teria escapado alguma coisa. Li o final três vezes. Era mesmo só aquilo.

Deixo aqui a sinopse só por piada.

Sinopse

“A história é contada na primeira pessoa, com Delphine, a narradora, como uma das duas personagens. Todos os nomes são de pessoas reais: o da autora/narradora, o dos filhos, do namorado… A história é aparentemente autobiográfica e, no entanto, torna-se a certa altura um jogo de espelhos, em que é difícil discernir entre realidade e ficção. Nada previsível, cheio de surpresas, com um suspense crescente (chega a ser atemorizante), mantém o leitor literalmente agarrado até ao fim(*). Delphine crê que a sua incapacidade de escrever terá coincidido com a entrada de L. na sua vida. L. é a mulher perfeita que Delphine gostaria de ser: muito bonita, impecavelmente cuidada, de uma grande sofisticação e inteligência. L. está também ligada à escrita – é escritora-fantasma. L. insinua-se lenta mas inexoravelmente na vida de Delphine: lê-lhe os pensamentos, adivinha-lhe os desejos e necessidades, termina-lhe as frases, torna-se totalmente indispensável – é a amiga ideal. Mas, aos poucos, sabemos que ela conseguiu isolar Delphine (afastando toda a gente), que lhe lê os diários, a correspondência, que se faz passar por ela! E quer demover Delphine de escrever o livro que esta está a preparar, obrigando-a a escrever a obra que ela (L.) quer: Introduz-se, assim, na vida da amiga de forma insidiosa, permanente, por fim violenta, controlando tudo. É aqui que há um volte-face na intriga – até aí muito perto do real – e uma possibilidade autobiográfica. O fim é maravilhosamente surpreendente.”

Quetzal, 2016

Tradução de Sandra Silva

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2 pensamentos sobre “A Partir de Uma História Verdadeira – Delphine de Vigan

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