Um Postal de Detroit – João Ricardo Pedro

Postal DetroitEu estava mesmo convencida que não haveria nada que me pudesse fazer não gostar deste livro. E não posso dizer que não gostei. Mas não posso afirmar que gostei tanto como esperava.

Quando se lê um segundo livro de um autor, e se gostou bastante do primeiro, espera-se mais. E, se calhar, foi essa expectativa que acabou por me deixar desapontada.

Mas vamos por partes. João Ricardo Pedro mantém a grande forma, a escrita é irrepreensível, acho mesmo que apurou o estilo. A leitura é deliciosa, o texto está cheio de revelações surpreendentes, de ideias saídas de uma imaginação admirável.

A trama começa bem, parte de um acontecimento real, o choque de dois comboios em Alcafache, em 1985. Marta desaparece nesse dia, a sua mochila é descoberta no meio dos destroços do acidente. O narrador é o irmão de Marta, traumatizado desde esse dia. Excelente premissa, a meu ver.

A narrativa flui conforme esperado. Penso que grande parte das pessoas já sabe que, à semelhança do O Teu Rosto será o Último, deste livro também não se retira qualquer conclusão. Se no livro anterior achei uma certa graça ao final inesperado, que na verdade não é final algum, desta vez confesso que não achei muita piada. A fórmula repete-se. É um livro cheio de gente, com muitos caminhos, muitas vezes labirínticos. Se calhar fui eu que não percebi o objectivo, mas o que é certo é que não saí do labirinto.

Li até ao fim, coisa que raramente faço quando um livro me desilude, o que significa que, para mim, o autor escreve que é uma maravilha. Fiquei só a aproveitar o brilhantismo da escrita, mesmo estando a apanhar bonés da história. Dá, sem dúvida, muito mérito a João Ricardo Pedro, mas desta vez não me chegou. Não sei se vale a pena insistir nesta fórmula. Mas enfim, quem sou eu? Afinal de contas não percebi nada…

Sinopse

“Em Setembro de 1985 dá-se um choque frontal de comboios em Alcafache. Algumas das vítimas mortais, presas nas carruagens a arder, nunca chegam a ser identificadas. No dia seguinte, a mãe de Marta recebe um inesperado telefonema informando que a mochila da filha – estudante de Belas-Artes – apareceu entre os destroços.
Partindo dos cadernos de desenho de Marta – uma espécie de diários visuais que espelham um quotidiano tão depressa sórdido como maravilhoso -, o narrador deste romance tenta recriar os passos da irmã nos tempos que antecederam o acidente. E, enquanto o faz, dá-nos a conhecer um leque de figuras absolutamente inesquecíveis, entre as quais se contam prostitutas, boxeurs, polícias e assassinos, mas também anjinhos de procissão, médicos e senhoras da caridade. E, claro, ele próprio – o mais ausente dos cadernos de Marta.
Depois do celebrado O Teu Rosto Será o Último, que venceu o Prémio LeYa em 2011 e foi traduzido em cerca de dez línguas, incluindo chinês e árabe, João Ricardo Pedro regressa à ficção com um romance delirante e avassalador sobre a ténue fronteira que existe entre sanidade e loucura e os laços perturbadores que tantas vezes unem a vida à arte.”

D. Quixote, 2016

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