Sempre vivemos no Castelo, de Shirley Jackson

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«Chamo-me Mary Katherine Blackwood. Tenho dezoito anos e vivo com a minha irmã Constance. É frequente pensar que se tivesse tido um pouco de sorte poderia ter nascido lobisomem, porque o anular e o dedo médio das minhas mãos têm o mesmo comprimento, mas tive de me contentar com aquilo que tenho. Não gosto de me lavar, nem de cães ou barulho. Gosto da minha irmã Constance, de Ricardo Coração de Leão e do Amanita phalloides, o cogumelo da morte. Todas as outras pessoas da minha família estão mortas.»

Depois da atração, a curiosidade. Depois da curiosidade, a angústia. E é um enorme privilégio deixarmo-nos conduzir pela mão de uma menina-mulher até às profundezas de uma mente deturpada, olhando através dos seus olhos para a nossa própria imagem desfocada.

Primeiro Shirley Jackson fala-nos do medo e do preconceito. Da coragem de ser diferente. Depois troca-nos as voltas e leva-nos pela mão através da loucura, da inocência e da culpa. A solidão, o sacrifício e o amor também estão bem marcados nestas páginas.

Desde cedo me deixei conquistar por Merricat, uma personagem fascinante, e pelo seu fiel gato Jonas. Com eles acreditei que as palavras têm o poder de tecer uma proteção à nossa volta e com eles odiei Charles.

Nunca vou conseguir escrever nada de jeito sobre este livro porque, por um lado, não vos quero estragar a leitura contando demais, e por outro porque cedo percebi que este seria um dos “meus” livros de sempre.

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