Morreste-me – José Luís Peixoto

6816890Não há palavras que sejam suficientes para expressar a dor de perder um pai. É uma coisa tão visceral e devastadora, que se torna num daqueles momentos em que o antes e o depois se vêm separados por um limite inultrapassável. Há pessoas que sentem conforto no partilhar dessa dor, que conseguem facilmente rever-se nas palavras que outrem profere acerca da sua própria experiência, porque as ajuda a sentir que não estão sozinhas e que alguém as compreende; outras há que, por mais que procurem, sempre acharão que a dor é semelhante mas nunca igual, que o que sentem tem origem na sua individualidade e no sentimento único perante quem sempre teve aquele nome simples. P-A-I.

Acredito sinceramente que a maioria das pessoas que leu Morreste-me, de José Luís Peixoto, se terá sentido comovida pelas palavras do escritor-poeta. Seja porque, de facto, elas são comoventes e repletas do sentimento avassalador da perda, seja porque a sensibilidade de ter passado por algo semelhante faz reviver o trauma que se viveu. O passar do tempo atenua esse reviver e traz, muitas vezes, o sentimento de “culpa” pela dor se ir desvanecendo. Eu queria que este livro a trouxesse de volta. Queria chorar, queria sentir. Mas infelizmente não aconteceu. Não por falha do autor, mas porque pertenço ao segundo tipo de pessoas que referi. Considero cada dor uma dor única, irrepetível, e foi por isso que, ao ler este livro, me senti uma intrusa. Talvez não tenho pegado neste livro com o espírito certo, certamente difícil de alcançar dada a minha sensibilidade pessoal.

Foi, ainda assim, um livro que gostei de ler. Fez-me pensar e feriu-me, mesmo que o ferimento não tenha chegado ao coração. E quando as experiências não nos deixam indiferentes, vale sempre a pena. Obrigada, Márcia, pelo empréstimo.

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6 pensamentos sobre “Morreste-me – José Luís Peixoto

  1. Por isso tenho medo de ler este livro. Tenho-o há mais de um ano na estante, olho-o várias vezes mas não lhe pego. Não sei se alguma vez o vou fazer. Não sei se me apetece reviver certas coisas. Fui durante muito tempo do tipo 3: do que não fala, não partilha, não quer conforto. Agora já nem sei.

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