Carta à Mulher do Meu Futuro de Péter Gárdos

Li a sinopse deste livro e fiquei logo entusiasmada com esta leitura. No entanto, ainda antes de ter começado a ler, fui assistir ao encerramento da 4ª edição da Judaica – Mostra de Cinema e Cultura, no dia 20 deste mês, onde iria ser o lançamento do livro, com a presença do autor e, também, exibido o filme Febre ao Amanhecer, filme baseado na história do livro.

O filme e o livro falam-nos de uma história de amor, real, vivenciada pelos pais do realizador e escritor húngaro Péter Gárdos. Após a morte do pai, há poucos anos atrás, Péter recebeu toda a correspondência trocada pelos pais, sobreviventes do Holocausto, quando estavam a recuperar na Suécia. Seis meses e muitas peripécias depois, acabam por casar. A sua luta pela sobrevivência não tinha terminado quando do terminus da guerra.

A Miklós, sobrevivente de Bergen-Belsen, foi-lhe dado seis meses de vida. Mas depois de ter passado por aquele campo de concentração e ter sobrevivido, morrer não estava nos seus planos. Sabendo da existência de mulheres da sua terra que estariam a recuperar também na Suécia, em “campos de recuperação”, resolve escrever-lhes. Enviou 117 cartas. Das que responderam, Lili foi a escolhida. E começa assim uma história de amor que durou muitos anos.

Tanto o livro como o filme transmitem-nos muito bem algumas das dificuldades que os sobreviventes passaram no pós guerra. Debilitados, doentes fisica e psicologicamente, querendo esquecer e voltar para “casa”, sem saber se as suas famílias e amigos estariam a salvo ou mortos, aperceberam-se que a guerra para eles não tinha terminado em 1945.

Embora com algumas diferenças, gostei igualmente de ambos, do livro e do filme. Muito bons. Recomendo!

Estrelas: 5*+

Sinopse

Em Julho de 1945, depois de sobreviver ao campo de concentração de Bergen-Belsen, Miklós, um jovem húngaro de vinte e cinco anos, é enviado para um campo de refugiados na Suécia. Pele e osso, desdentado, doente, o médico dá-lhe poucos meses de vida. Mas morrer depois de sobreviver a uma guerra não está nos planos de Miklós.

Ele não se sente sozinho. Sabe que há 117 mulheres da sua terra a viver em campos de refugiados na Suécia. Ignorando a sentença de morte da febre que o atormenta todas as manhãs, envia uma carta a cada uma delas. Alguma haverá de sucumbir à sua veia poética e sedutora caligrafia.

A centena de quilómetros, Lili responde. Assim começa uma história de amor redentora e inesquecível entre dois sobreviventes que eram também sonhadores.

Baseada na história real dos pais do autor e narrada a partir das cartas trocadas entre os dois, o romance de Péter Gárdos relembra-nos que o amor é uma força de vida, capaz de vencer a própria morte.

 

 

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