O Luto de Elias Gro de João Tordo

Não foi o primeiro livro de João Tordo que li. Sei que gostei dos outros mas não consigo comparar essas leituras e a sua escrita com este livro. Tão pouco importa, não é? Gosto da sua forma de escrever e tive prazer neste Luto de Elias…

Quem nos conta esta história não é Elias, um homem de fé, o pastor de uma pequena ilha com poucos habitantes. É o narrador, ao qual nunca chegamos a saber o nome, que nos fala na primeira pessoa e nos conta a sua história. Chegado à ilha procura a paz e indiferença que a solidão pode trazer, certo de que nada mais o espera, senão a morte, depois de ter perdido quem mais amava.

Este processo de luto, este abandono interior, essa vontade de nada fazer que o assola, arrasta-o para situações extremas. Junto com este relato, o narrador fala-nos de Elias, da sua filha Cecília, de Alma e de outros habitantes dessa ilha que o acolheu. Ficamos presos a esse declínio que assistimos, sem nada poder fazer, e partilhamos dos seus momentos de dor e de um certo desleixo também.

E ficamos a saber que muitas pessoas à nossa volta fazem o seu luto também. Às vezes é mais pessado que o nosso, ou pelo menos tão igualmente intenso. Foi uma das coisas que o narrador ficou a saber também.

O final é intenso, arrebatador. João Tordo encontrou a medida certa de o terminar! Gostei muito deste final que achei perfeito!

Estrelas: 4*+

Sinopse

Numa pequena ilha perdida no Atlântico, um homem procura a solidão e o esquecimento, mas acaba por encontrar muito mais.

A ilha alberga criaturas singulares: um padre sonhador, de nome Elias Gro; uma menina de onze anos perita em anatomia; Alma, uma senhora com um coração maior do que a ilha; Norbert, um velho louco que tem por hábito vaguear na noite; e o fantasma de um escritor, cuja casa foi engolida pelo mar.

O narrador, lacerado pelo passado, luta com os seus demónios no local que escolheu para se isolar: um farol abandonado, à mercê dos caprichos da natureza – e dos outros habitantes da ilha. Com o vagar com que mudam as estações, o homem vai, passo a passo, emergindo do seu esconderijo, fazendo o seu luto, e descobrindo, numa travessia de alegria e dor, a medida certa do amor.

O luto de Elias Gro é o romance mais atmosférico e intimista de João Tordo, um mergulho na alma humana, no que ela tem de mais obscuro e luminoso.

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