«Escravas do poder» de Lydia Cacho :: Opinião

A dura e incómoda realidade de tantas meninas e mulheres presas nas teias do tráfico sexual, um flagelo à escala mundial, proporcionado por uma máquina hedionda e gigantesca que gera milhões à custa da miséria e das dificuldades em que muitas destas mulheres são apanhadas e para as quais há uma promessa de salvação, um futuro melhor. Pior é lermos sobre as que mesmo sabendo ao que vão não têm outra escolha, o mundo que as rodeia não lhes apresenta nenhuma solução melhor.

“(…) sob o sol asiático, não sou uma jornalista nem uma activista dos direitos humanos, apenas uma mulher que caminha pelo mundo através das rotas do mal, à procura de alguém que tenha o segredo, porventura quimérico, de como salvar a humanidade da sua própria crueldade.”
Lydia Cacho põe a descoberto realidades muito revoltantes, fazendo-nos sentir privilegiadas, demonstrando que este é um crime transversal a muitas nações do mundo, desde o seu violento México ao colosso que é a Turquia, às tríades e à máfia na China e no Japão, mas que também países como o Reino Unido, a Rússia, a Malásia, a Tailândia ou o Cambodja… entre tantos outros, potenciam e favorecem o crime.
O tráfico sexual cria, para as mulheres que subjuga, um ambiente em que controla, humilha, castra e mina todas as possibilidades destas mulheres que até depois de saírem da teia, não são capazes de avançar com a sua vida. Daí a importância de instituições como a de Cacho, que demonstra o quanto estas pessoas necessitam de apoio para se dignificarem, encorajarem e tentarem superar o que anos de escravidão lhes provocou.
As denuncias de Cacho são ainda mais vasta que a geografia do problemas, ela não poupa homens ou mulheres, famílias, filhos, militares e polícia ou até grandes nomes da política ou dos quartéis de droga, sem esquecer a cultura e a religião. O problema só ganhou as dimensões que tem devido à acção de pessoas em todos os espectros da sociedade. O clima de medo, violência e fanatismo é tal ordem que também isso é um factor de recuo na denuncia e no apoio a situações de prostituição.
“Muitos líderes de opinião simplistas e radicais consideram que qualquer pessoa que se atreva a questionar os malefícios da pornografia, da prostituição e do clientelismo do comércio sexual é retrógrada, ignorante, conservadora, beata, frígida, lésbica ou homossexual. (…) Não pude fazer nada sobre o facto a não ser guardar o papelito como recordação do seu atrevimento de desafiar os patriarcas a quem Gabriel Garcia Márquez chamava os «alegres velhos putanheiros».”

Os casos aqui relatados, as infâncias destruídas, os úteros sacrificados, as mentes danificadas e as mulheres fragmentadas e desumanizadas… são relatas com paixão e dedicação. Lydia Cacho dedica vida e carreira a expor ao mundo, a denunciar e a levar a palavra de muitas destas mulheres a inúmeras sessões de consciencialização para esta problemática.

Podem ouvir algumas nestes vídeos:
– Los Demonios del Edén: La Cruzada de Lydia Cacho
– Festival of Dangerous Ideas: Lydia Cacho – Slavery is Big Business
– En Conversación: Lydia Cacho con Lucía Martínez Odriozola

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