A Hora Solene – Nuno Nepomuceno

ahorasoleneChega o dia de começar a viagem para o fim. Abro a primeira página e quero que as quase quinhentas páginas voem a caminho da descoberta. Na dúvida do que é mais importante, se o percurso ou a chegada, não hesito e leio o fim. Fiz o mesmo no livro anterior, A Espia do Oriente, e não me arrependo em nenhum dos dois. Vivo mais o percurso assim, gosto de apreciar a construção e as reviravoltas sabendo quem vai cruzar a linha da meta. Em todo o caso é melhor não o fazerem…digo eu…

Quanto a finais não me vou deter em muitos comentários, mas tenho de dizer que o final de A Espia do Oriente me entusiasmou muito mais do que o do terceiro volume, que, acredito, será muito mais consensual e, se calhar, até solene. Mas que posso fazer? Gosto da sensação de ficar pendurada em penhascos, da pequena maldade de torturar o leitor, castigando-o com aquela pontinha de irritação que o levará ao livro seguinte assim que esteja disponível. Bem jogado.

Não vou esconder que o meu preferido é A Espia do Oriente, talvez por ter revelado uma evolução da escrita do autor e, consequentemente, um maior distanciamento qualitativo em relação ao primeiro volume, o Espião Português. A Hora Solene tem o peso do desfecho, do querer satisfazer ânsias e curiosidades e, ao mesmo tempo, evoluir para áreas mais arrojadas. Há muita acção e violência, os cenários simultâneos estão bem construídos, as pontes entre eles são lançadas no momento certo e o efeito global é muito bom. O início deste livro é fenomenal, tanto que receei um previsível esmorecimento, que se verificou. Contudo, seria necessário acalmar os ânimos e, no geral, não posso dizer que haja tempos mortos. Há talvez excesso de informação relacionada com os livros anteriores, para mim desnecessária por os ter lido quase seguidos, mas que compreendo e julgo ser útil para quem optar não ler os livros anteriores. Coisa que acho uma pena e deixo aqui o apelo de “ou tudo ou nada”, é ler a Trilogia Senhores!

Adorava contar mais coisas mas pode ser perigoso para vocês, leitores que não fazem a batota de ler o final. Por isso vos recomendo este livro, para se surpreenderem. Para se envolverem na história do André, no seu passado diferente e no seu futuro incerto. Para descobrirem, página após página, uma história bem construída, narrada de forma fluida e elegante, sem pontas soltas e questões em aberto.

Leiam os três livros do Nuno Nepomuceno e fiquem, como eu, à espera de mais e melhor. A Trilogia Freelancer está concluída e cumpre os seus objectivos de uma leitura entusiasmante que não se fica pelos meandros da espionagem internacional, mas que pisca constantemente o olho a valores de base como a família, a amizade e o amor. A humanidade que se descobre nestas páginas, e que faz com que os leitores se identifiquem e se apaixonem por este espião é, talvez, o factor diferenciador destes livros. O leitor é inevitavelmente apanhado numa teia de sentimentos que se espalha como o sangue das vidas que ficam pelo caminho. Contraditório? Definitivamente. Mas que tudo é conciliado, isso vos garanto.

Quanto a mim fica o desejo de ver o Nuno alcançar outros patamares. Continuar a subir os degraus de uma escrita que promete amadurecer, ganhar consistência e sofrer as inevitáveis depurações. Aguardo outras personagens e outras histórias. O André cumpriu os seus desígnios.

Leiam e comprem para oferecer, que é Natal. Mais logo, na Fnac Colombo, podem levar os livros para casa com autógrafo.

Sinopse

“Numa fria noite de tempestade, um homem é esfaqueado e abandonado na rua. A poucos quilómetros de distância, um terrorista pertencente a uma organização criminosa auto-intitulada O Gótico entrega-se aos serviços secretos. Ao mesmo tempo, um avião sofre um violento atentado ao sobrevoar a Irlanda e um vídeo é enviado à redação de uma famosa cadeia televisiva.
A intriga acentua-se quando um milionário começa a ser alvo de extorsão. No centro destes acontecimentos, encontra-se André Marques-Smith. Alto funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o espião português é obrigado a protegê-lo. Mas não está sozinho. Foragidos, dois colegas dissidentes regressam e revelam ao mundo a verdadeira génese de um antigo projeto de manipulação genética. E há ainda uma mulher. Em parte incerta, esta enigmática espia de feições orientais poderá ser a chave de todo o mistério. Mas que explicação haverá para o seu desaparecimento? Conseguirão os dois agentes ultrapassar o fosso criado entre eles?
Através de uma viagem frenética por entre os deslumbrantes cenários reais de Moscovo, Londres, Hong Kong, Macau, Praga, o Grande Buraco Azul e Lisboa, os perigos multiplicam-se e André dá por si a lutar pela sobrevivência. Questões sobre ética, moral, religião, família e o valor da vida humana são levantadas. E uma teia de falsas verdades, ilusões e complexas relações interpessoais é desvendada no derradeiro capítulo de uma série policial que já marcou a ficção portuguesa.
Inspirado num discurso de guerra de Winston Churchill, depois de ver o talento confirmado com
 A Espia do Oriente, revelado ao público através da vitória no Prémio Literário Note! 2012 com O Espião Português, Nuno Nepomuceno apresenta A Hora Solene, a terceira e última parte da trilogia Freelancer. Um romance de espionagem imprevisível, no já característico estilo sofisticado e intimista do autor, onde os valores tradicionais da cultura nacional se fundem com uma abordagem inovadora e única que o irá surpreender.” 

Topbooks, 2015

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Um pensamento sobre “A Hora Solene – Nuno Nepomuceno

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