«Pura Coincidência» de Renée Knight :: Opinião

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

É este o melhor mote para o livro que jaz dentro do livro que temos entre mãos e que se lê avidamente. No entanto, não entra para o meu top de thrillers já que consegui, nem sequer umas setenta páginas tinha lido, delinear logo todo o enredo escondido no thriller que opõe as famílias Ravenscroft e Brigstocke.

Catherine é aparentemente uma mulher bem resolvida e bem sucedida, mas essa imagem cai por terra logo quase no início quando um simples livro a leva a perder as estribeiras. As insónias e a desmotivação voltam como lhe aconteceu há anos atrás e é esse o mistério maior, sabermos o que diz no tão misterioso livro que apareceu, sabe lá de onde, em sua casa e a fez desmoronar. Robert e Nick, marido e filho de Catherine, não entendem de forma muito clara as suas atitudes mais recentes, tal como, em tempos Stephen não entendeu a reacção da esposa Nancy perante um acontecimento que mudaria as suas vidas.
Os enredos de ambos os livros são exactamente esses eventos que mudam por completo o rumos das nossas vidas e é muito curiosa a estrutura do livro, é intrincada e muito bem conseguida, pois é como estar a ler um livro do qual já nos contaram o fim, mas mesmo assim queremos confirmar se as coisas foram mesmo assim. E dizer mais não posso, não quero que corram riscos desnecessários 😉

Todo o detalhe neste livro foi, certamente, muito bem pensado, as duas vozes, inicialmente separadas por uma faixa temporal de dois anos, vão-se aproximando a passo a passo, juntamente com a chegada da verdade, no entanto, as duas vozes, passam a uma mais, que é efectivamente um livro escrito e reescrito, não por uma, mas por duas pessoas e o melhor é que as diferenças se sentem, tal como as emoções que os personagens estão a sentir. Revolta, angústia, desespero, injustiça, ingratidão e claro, loucura e demência, que se fundem todas em puras coincidências.

“Perfeito Desconhecido“ é o livro dentro de «Pura Coincidência», onde nos é dado a conhecer uma vilã que teve o fim que merecia. Na inquietação das suas páginas, descobrimos personagens que despoletam as atitudes que vemos “hoje” nas personagens que compõem a acção e é essa inquietação que juntamente com a aceleração típica do dia-a-dia e as falhas de comunicação provocam mais enganos ao sabor das tais coincidências, enganos esses que podem levar a erros fatais.

Toda a trama tenta levar o leitor a algum estado de confusão, mas eu, infelizmente, com esta mente sórdida desfiz logo o enigma e isso retirou-me algum prazer na leitura, o que não retira ao livro qualquer qualidade, aliás o mesmo chega até a ser exigente para o leitor. Quero ainda salientar que a capa esta altamente bem conseguida e ao lerem, se atentarem nos detalhes, perceberão porquê. Há ainda mais uma ressalva, as descrições estão muito bem conseguida, há uma cena com Stephen, já muito descuidado, onde ele fala como corta e rói as unhas, é brilhante, vívida o suficiente.

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