Peregrino, de Terry Hayes

Capa PEREGRINOQuando “Peregrino” chegou às minhas mãos tive muitas reservas. Apesar de, já há algum tempo, me apetecer ler um livro deste género, refiro-me a puro entretenimento com muita acção, um misto de policial, espionagem e muito suspense (um page turner comercial, vá), um livro de 655 páginas oferece sempre algumas dúvidas por muita determinação que se tenha em concluir a leitura. Não que os calhamaços me assustem, não é isso, assustam-me os livros maus que nunca mais acabam, se mastigam e nunca se chegam a engolir.

Os meus receios confirmaram-se infundados desde o início da leitura. É sempre complicado escrever sobre um livro de mistério. Qualquer passo em falso, neste caso, palavra em falso, pode roubar um pouco do prazer do próximo leitor. E eu gostaria muito que os leitores do género, e até outros, abrissem a primeira página com o meu nível de ingenuidade. Sei que não vai ser possível. E quantas mais pessoas lerem este livro, e eu acredito que serão muitas, mais se perde o frio na barriga de uma leitura que é como cair, no escuro, a pique.

Conheci O Peregrino em Nova Iorque. Soube logo que seria o herói, apliquei-lhe os estereótipos, e imaginei-o na última página, poderoso, vencedor e com a miúda mais sexy nos braços. Previsão errada e ainda bem. Fiquei a saber muito sobre este homem. Na verdade, acho que só não fiquei a saber o nome, pois a construção desta personagem (e das outras) é muito completa. Não deixa de ser curioso como é que se sabe tanto, desde a infância, acerca de um homem que tantas vezes, por força da carreira, deixa de existir. Gosto do lado humano do Peregrino, da construção desde a infância, das oportunidades únicas surgidas da maldade, e como a maldade subsiste, ou não fosse ele uma máquina de matar. Gosto de imperfeições, não acredito em heróis, e esta personagem agarra-se bem ao que pode ser verdade. À parte os exageros de sobreviver em algumas circunstâncias (demasiado) extremas, é verosímil. Não sabemos se é bonito, as leitoras não vão suspirar por ele, este livro não é para meninas, no sentido piegas da coisa, entenda-se.

E como cada herói, ou o que aqui mais se aproxima desse conceito, tem de combater o mal (e que bom seria que o bem e o mal e estivessem sempre separados de modo a distinguir as suas localizações, sem nunca se misturarem, e as pessoas boas fossem sempre só boas e as más sempre só más), no outro lado do ringue o Sarraceno é um inimigo à altura. Médico, extremamente inteligente, guarda a revolta do pai ter sido executado publicamente quando ele tinha apenas catorze anos. Este acontecimento foi o catalisador da sua sede de vingança. Sarraceno é Muçulmano e cedo a sua vingança recai sobre os Estados Unidos. Sim, eu sei que a coisa descrita assim parece um bocado previsível. E não adianta dizer-vos que os Estados Unidos perdem que ninguém acredita, mas este livro é muito mais do que isso, é uma luta de forças iguais entre adversários igualmente poderosos, que, sim, tem muita morte e violência, mas é um combate que se faz muito mais com o poder da inteligência. E aqui as forças estão equilibradas.

Para mim foi uma surpresa. É empolgante, com reviravoltas imprevisíveis, e envolvente. Oferece cenários que revelam uma imaginação avassaladora, descrições pormenorizadas, acontecimentos simultâneos, pistas cruzadas, exige muito do leitor e a atenção será recompensada. No fim não haverá pontas soltas.

Sinopse

“UMA CORRIDA VERTIGINOSA CONTRA O TEMPO E UM INIMIGO IMPLACÁVEL. 

Uma jovem mulher brutalmente assassinada num hotel barato de Manhattan. 

Um pai decapitado em praça pública sob o sol escaldante da Arábia Saudita. 

Os olhos de um homem roubados do seu corpo ainda vivo.

Restos humanos ardendo em fogo lento na montanha de uma cordilheira no Afeganistão.

Uma conspiração para levar a cabo um crime terrível contra a Humanidade. 

E um único homem para descobrir o ponto preciso onde estas histórias se cruzam: Peregrino.”

Topseller, 2015

Tradução de Rui Azeredo

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