Se Eu Fosse Chão – Nuno Camarneiro

89ba2-capa-ncamarneiroEm algum momento, numa estadia de hotel, interrogamo-nos sobre as muitas histórias, fragmentos de vidas, que se encerram entre as paredes daqueles quartos.Que memorias preservam, boas e más, de jubilo ou de dor, angústia ou exaltação, resignação ou coragem? Que poderiam contar sobre os protagonistas? E os que lá trabalham, silenciosas testemunhas, que guardam para si?

“Um quarto de hotel é também um repositório das vidas que por lá passaram.”  

Nesta base, três épocas distintas (1928, 1956 e 2015), em 51 quartos de um qualquer Palace Hotel em Portugal, por ordem sequencial e temporal pequenas narrativas coloridas por personagens (enquanto hospedes daquele hotel) que, em parcas palavras contam tanto sobre si, as circunstancias em que se encontram e o mundo que os cerca. Um pequeno núcleo representativo de um universo muito maior, porque “um hotel é um mundo pequeno feito à imagem do outro maior”, e este o meu ponto de partida para esta leitura, como se espreitasse pelo buraco da fechadura para desvendar vidas alheias e antever um filme que passa na minha cabeça.

“Um quarto fechado é sempre uma história por contar, enquanto não o abrirem, cada um há-de ter a sua”.

Sinopse:

«Um hotel é um mundo pequeno feito à imagem do outro maior. Nós garantimos que a escala permaneça justa, sem nada aumentar ou reduzir. Não nos peçam para corrigir o que vai torto ou torcer o que anda certo. Servimos os nossos hóspedes e damos-lhes a importância que merecem, ou que podem pagar. O resto pertence à justiça ou à igreja, não somos juízes nem padres. Somos artífices do detalhe e da memória, e não nos peçam mais.»
Num grande hotel, as paredes têm ouvidos e os espelhos já viram muitos rostos ao longo dos anos: homens e mulheres de passagem, buscando ou fugindo de alguma coisa, que procuram um sentido para os dias. Num quarto pode começar uma história de amor ou terminar um casamento, pode inventar-se uma utopia ou lembrar-se a perna perdida numa guerra, pode investigar-se um caso de adultério ou cometer-se um crime de sangue. Em três épocas diferentes, entre guerras que passaram e outras que hão-de vir, as personagens de “Se Eu Fosse Chão” – diplomatas, políticos, viúvos, recém-casados, crianças, actores, prostitutas, assassinos e até alguns fantasmas – contam histórias a quem as queira escutar.
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