«Segredos Obscuros» de Hjorth & Rosenfeldt :: Opinião

“A fantasia é o motor a zunir: uma presença constante, mas meramente indolente.
Muitas pessoas têm fantasias. Obscuras, sexuais, brutais, que afirmam sempre o nosso próprio ego (…) Muitas poucas pessoas vivem verdadeiramente as suas fantasias. As que o fazem encontraram a chave.”
Com 2 milhões de exemplares vendidos e escrita por dois aclamados guionistas suecos, «Segredos Obscuros» revela em Portugal a dupla sueca Hjorth & Rosenfeldt. Hans Rosenfeldt é o criador da premiada série Bron que traz à ribalta o psicólogo criminal Sebastian Bergman.
Bergman é apresentado inicialmente como alguém que tem andado a cultivar o seu lado inútil e é controverso o suficiente para aumentar o separatismo já existente entre duas equipas de investigação, a local, de Västerås e a de elite, famosa pela sua forma de resolver casos. A persona que o psicólogo invoca contrapõe com a descrição de um dos policiais, ao recordar do pai, a ideia da “dádiva” da violência como catalisadora da obediência. São eles que em conjunto irão descobrir quem assassinou, e porquê, Roger Eriksson, um jovem de 16 anos vítima de agressões demasiado violentas.
Nos arrabaldes de Listakärr, Emma, Alice e Joakim são três jovens que apenas decidiram aceitar uma missão, procurar o jovem desaparecido, pela desafiante ideia de terem algo diferente para mais tarde recordar, mas são eles que descobrem o mutilado cadáver de Roger, mergulhado nas águas do pântano, encerrando em si Segredos Obscuros.
 
A estreia de Sebastian Bergman é trazida até ao leitor num livro intenso e completo, com alguns cenários sombrios e a esperada profanação do cadáver, bem como um outro conjunto de ingredientes que tornam o enredo suculento e igualmente crítico, espelhando uma sociedade igual a tantas outras. O bullying escolar, a homossexualidade, a traição e o adultério, o divórcio, a pederastia e a pedofilia, em contraponto com a sexualidade e a depravação e ainda o tumulto da adolescência e ainda, o estímulo sexual como gatilho de toda a acção, são ingredientes mais do que suficientes para ter toda uma panóplia de personagens bem conseguidas e acontecimentos complexos.
Até a forma como se apresenta o perpetuador e o modo como o mesmo nos explica o cerne dos acontecimentos se revela diferente e viciante, estamos sempre expectantes para que essa voz surja e nos dê novos detalhes, mas as descobertas são feitas a conta gotas e sempre com revelações familiares desconcertantes. Não que algumas o leitor não seja capaz de antecipar, julgo que é e isso torna a história ainda mais cativante.
Com os ingredientes todos que tem e com uma certa dose de antecipação julguei a certa altura que a linha obscura se enredasse num novelo mais macabro. Julguei que o colégio pudesse ser palco de outras orientações e certas depravações, mas o enredo segue um contorno mais familiar, diria até que um pouco mais paternalista, o que não lhe retira interesse, é certo, mas não o torna tão obscuro como eu pensei que se pudesse ficar.
Hjorth & Rosenfeldt conseguem rechear a acção com uma equipa de investigação cheia de particularidades, desde a inspectora durona ao policial exímio ou o detective fanfarrão e o resto da equipa que o desculpa ou critica, apesar de existirem estes personagens aos quais os autores de policiais já nos habituaram, a dupla traz-nos um psicólogo criminal, como uma novidade para a equipa, um homem despedaçado que se esforça por manter uma máscara e esconder diversos segredos.
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