era uma vez em goa – paulo varela gomes

Screen Shot 2015-07-11 at 10.35.41Adoro viajar, adoro ler, ler livros com viagens lá dentro é um bónus. A este até lhe mudei o nome, enquanto o li foi “uma viagem a goa”.

Vamos por Goa adentro com o Graham um inglês totó (nem sabe onde fica Portugal!) que os goeses teimam em pensar que é um espião português só porque é moreno com ar tuga em vez de loiro com olhos azuis, como todos os ingleses devem ser: “you angrez? You look pacló”.

Graham anda ao Deus dará e chega a Goa à procura de uma paisagem “de postal”, praia de areia branca, mar azul, coqueiros perfeitos inclinados para o mar…

Achei a ideia de procurar uma paisagem de sonho muito à frente para a época retratada no livro, anos 60, altura em que a Índia anexou Goa. Acho que nessa altura as pessoas pensavam em tudo menos em férias numa praia com coqueiros ou, se calhar, eram só os portugueses que tinham outras coisas em que pensar.

Embora Graham não encontre a praia paradísica que procura, há bosta de vaca no areal, a areia é cinzenta e a água parda, encontra a hospitalidade Goesa:

No chão havia uma barra de sabão azul e branco e não o pratinho com um líquido de textura duvidosa com que fingia que me lavava há semanas e semanas, pensão rasca após pensão rasca. Sabão azul e branco. Civilização. Um palácio.”

“… o que eu tinha dentro do prato, no meio dos vegetais cheios de massala, era, palavra de honra, um bife. Cortei e provei: apesar do picante, do vinagre, de um sabor esquisito, aquilo era carne e não tinha ossos. Era portanto e definitivamente um bife.”

Encontra também a Casa do Antonio, é com o António que resolve transformar a casa num hotel e quase tem um ataque cardíaco só a lidar com o pessoal das obras, a descrição é hilariante. Temos aliás, muito bom humor neste livro até nas notas de rodapé e embora estas nos digam muitas vezes que o autor não sabe quase nada, o autor sabe muito. Nesta história, consegue colocar o agente da PIDE Casimiro Monteiro e o escritor Graham Green a interagir com o nosso inglês tótó de uma forma espectacular como nos diz porque é que dos vencidos não reza a história: Viste a pensão Lisboa? Agora é Gomes não sei quê. Amanhã será Gomantak ou coisa assim.

Para além disso escreve coisas deliciosas, ora leiam:

“O Camião saiu do meio das bonitas casinhas nos arredores de Mapuça e foi andando todo contente, sempre a apitar, por uma estrada alcatroada que tinha coqueiros de ambos os lados, arrozais zonzos de tanta cor esmeralda e tão brilhantes brilhos de água, uma igreja faiscante de branco contra uma encosta encharcada de verde. Aquilo era lindo, lindo, palavra de honra”

Já alguma vez tiveram saudades de um sítio onde nunca estiveram? Eu nunca fui a Goa e tenho vontade de lá voltar.

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