A Mulher de Verde – Arnaldur Indridason

A Mulher de VerdeJá tinho lido “Laços de Sangue” e gostado muito. Este “A Mulher de Verde” perturbou-me, deixou-me arrepiada e perplexa, mas… maravilhada. A narrativa caminha entre duas situações  – uma sinistra história de violência doméstica, forte e aterradora, passada nos anos 30/40 e o presente, onde se investiga a descoberta de ossos humanos junto dos alicerces de uma casa em construção, numa encosta perto de Reiquejavique.

O Inspector Erlendur de regresso a um caso trágico e emocionante, novamente acossado pelos seus fantasmas pessoais deixados à solta. O trabalho parece ser uma salvação enquanto lida com o desespero e a frustração de não conseguir chegar à filha, mergulhada no abismo do consumo de drogas e com recordações dramáticas do seu passado mal resolvido.

Não é um livro fácil pois tem descrições extremamente duras. Contudo, talvez por isso seja tão boa a sua leitura. O início do livro é simplesmente genial:

“Ele percebeu de imediato que se tratava de um osso humano, assim que o tirou à bebé que estava sentada no chão a roê-lo”.

A primeira passagem que me deixou inquieta:

“Ela mal se apercebera do que acabara de acontecer até sentir uma dor na têmpora. Do nada, ele atingira-a na cabeça com o punho cerrado, um golpe tão rápido que nem o conseguiu antecipar. Ou talvez não acreditasse que ele lhe batera. Aquele era o primeiro murro e, nos anos seguintes, ela perguntar-se-ia se a sua vida poderia ter sido diferente acaso lhe tivesse virado costas naquele preciso momento.

Se ele a tivesse deixado fazer isso.

Ela olhava espantada para ele, sem perceber o motivo por que repentinamente lhe batera. Nunca ninguém lhe batera. Aconteceu três meses após o casamento.

– Deste-me um murro? – perguntou ela, levando a mão à têmpora.

– Achas que não vi a forma como estavas a olhar para ele? – ciciou ele.

– Para ele? O quê…? Referes-te ao Snorri? A olhar para o Snorri?

– Achas que não reparei na forma como te comportaste, como se estivesses com o cio?”

Bem, confesso que nunca tinha lido nada assim, tão cru e, provavelmente, tão real. Mais à frente na narrativa, uma das pessoas que viveu de perto a violência doméstica diz:

“É um termo tão conveniente para o homicídio espiritual. Um termo tão inofensivo para quem não sabe o que se esconde por trás dele. Faz ideia do que é viver a vida inteira num medo constante?”

Este livro é um policial, sim, com tudo aquilo que cativa o leitor amante de mistérios e assassínios. Tem ainda a mais-valia de estar escrito com uma complexidade psicológica profunda e apresentar o tema da violência doméstica com uma intensidade perturbante.

Adorei! Quero ler mais livros deste escritor islandês!

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