A Nossa Casa é Onde está o Coração, de Toni Morrison

01040600_Nossa_Casa_Onde_Esta_CoracaoO que mais me marcou neste livro foi a escrita de Toni Morrison. Limpa, fluída e muito bela. Mais do que a história, comovente, deixei-me tocar pelas palavras escolhidas com cuidado, com a estrutura do livro, alternando o passado e o presente de modo hábil, de forma imprevisível, não obedecendo a uma regra coerente, e contudo, resultando tão bem.

Profundo, por mexer com sentimentos familiares e feridas de guerra. O amor entre dois irmãos faz o caminho para o seu reencontro nos percursos de uma América racista e pobre.

Tocante e, em alguns pontos, deveras emocionante. Captando cada gesto e cada acção com uma mestria descritiva que me impressionou, recomendo este livro a todos, por agradar a quem gosta de uma história (muito) bem contada, e também aos que apreciam boa escrita que, neste caso, é irrepreensível.

“Estava tão luminoso, mais luminoso do que ele se recordava. O Sol, tendo absorvido todo o azul do céu, flanava num paraíso branco, ameaçando Lotus, torturando a sua paisagem, mas falhando, falhando, falhando constantemente em reduzi-la ao silêncio: as crianças continuavam a rir, a correr, a gritar os seus jogos; mulheres cantavam nos seus pátios traseiros enquanto penduravam lençóis molhados nas cordas da roupa; ocasionalmente, juntava-se a um soprano uma vizinha alto ou um tenor que se limitava a passar. (…) Frank não percorria aquela estrada de terra batida desde 1949, nem pisara as pranchas de madeira que cobriam os lugares devastados pela chuva. Não havia passeios, mas todos os jardins, tanto à frente como nas traseiras, exibiam flores protegendo legumes de doenças e predadores – cravinas, capuchinhas, dálias.” (Pág. 113)

Sinopse

“Frank Money regressa da guerra da Coreia em luta com os seus fantasmas. É um homem perturbado por um profundo sentimento de culpa pelas atrocidades que se viu obrigado a cometer e pela relutância em voltar à sua cidade natal na Georgia, onde deixou dolorosas memórias de infância e a pessoa que lhe é mais querida, a irmã. Mas quando recebe uma carta avisando-o de que Cee corre risco de vida, Frank regressa, atravessando uma América dividida pela segregação. Através desta viagem, e da viagem interior que o protagonista vai fazendo, a autora dá-nos a definição do que é o lar, o lugar onde estão os nossos afetos, numa combinação entre a realidade física e social e a subtileza psicológica e emocional.”

Editorial Presença, 2015

Tradução de Manuela Madureira

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