Viagem ao Coração dos Pássaros, de Possidónio Cachapa

10923544_10204820467183219_1824910009409859917_nA sensação que tenho no final desta leitura é que tudo se tratou de um sonho. Que este livro de letras grandes, lido de um fôlego, é uma porta para uma ilha que fica algures depois das nuvens, longe de tudo o que é real. Não é um conto de fadas, nem mete bruxas, pelo menos daquelas de varinha mágica e com caldeirões de feitiços, mas é um passeio no limiar da magia, com personagens que sinto terem sido criadas com generosidade e amor.

Um livro estranho, que não se entranhou mas agradou, com anjos e almas penadas, com seres escolhidos, uma menina eleita para curar e matar, com poderes maiores do que ela.

Kika, a menina visitada pelo anjo ainda na barriga da mãe, que comunica sem falar, que trouxe silêncio a um livro que conta tantas estórias. O silêncio, que eu adoro, que eu aproveito quando o consigo, que me faz pensar melhor, sentir melhor, ler melhor. O silêncio deste livro fez-me escutar melhor todas as suas vozes.

“E natural não era, porque natural, para ele, era partir e esquadrinhar o horizonte até que o ouro e o açúcar lhe escorressem para o colo sem esforço. E, de imagem em imagem, construiu um país, em que as paredes eram altas – quase como a igreja – e as pessoas só faziam o que queriam. Nesse país tinha-se tudo, bastando desejar. E quem não quisesse trabalhar não precisaria, porque as paredes tinham no seu interior tudo o que uma pessoa quisesse. E tantas eram as salas que davam para o descanso de uma vida inteira.” (Pág. 25)

Sinopse

“Viagem ao Coração dos Pássaros remete-nos para um universo único mas que se repete sempre no tempo dos seres humanos. Fala-nos das contradições e dialéctica do mundo, do amor, da vida, mas também dos seus opostos.
É um livro que se lê num sopro, como se fosse um instante, numa viagem que o leitor faz ao coração, o seu próprio, e o dos protagonistas da história, realista, autêntica e bela.
Possidónio Cachapa conduz-nos através da sua escrita profunda, revelando-nos os dons que todos temos e as nossas virtudes mas também as nossas debilidades e fraquezas, numa simplicidade narrativa que nos prende da primeira à última página.”

Marcador, 2015

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