“A ridícula ideia de não voltar a ver-te” de Rosa Montero

A Ridícula Ideia de Não Voltar a Ver-te_14-01-2015

Sabe sempre tão bem quando um livro cumpre não só a promessa de uma boa leitura, mas antes supera as nossas expectativas, e como! Absolutamente brilhante! Um livro-pirilampo; luminescente como os fragmentos de substâncias radioactivas manipuladas e estudadas por Marie e Pierre Curie no seu laboratório. Sendo uma obra assumidamente autobiográfica sobre a experiência de luto após a morte do marido, é também uma interessantíssima visão sobre a vida de Madame Curie, para além de incluir inúmeras pistas de reflexão acerca daquelas grandes questões que nos acompanham, como espécie, desde sempre. Através da sua escrita franca, inteligente e sensível, Rosa Montero dá-nos um livro optimista sobre a vida, a morte, o amor, a memória, a condição feminina, a ciência, e, para além disso, como não podia deixar de ser, sobre a natureza labiríntica do ser humano e as arbitrariedades do destino. Tudo isto condensado em menos de 200 páginas que captam a nossa atenção desde a primeira e nos tocam imenso, se calhar, até onde não esperávamos.
Em suma, um livro muito interessante, sensível, inteligente e lúcido. Vale bem a pena lê-lo.

Excerto:

“Recordo-o feliz, a passear pelos montes. Enfim, releio este último parágrafo e creio que o mais acertado que escrevi foi “recordo-o”. Essa sim é a mais pura das verdades. Dentro da minha cabeça está todo ele.
Mas a literatura, ou a arte em geral, não consegue atingir essa zona interior. A literatura dedica-se a dar voltas em redor do buraco: com sorte e com talento, talvez consiga dar uma olhadela relampejante ao seu interior. Esse raio ilumina as trevas, mas de uma forma tão breve que só há uma intuição, não uma visão. E, além disso, quanto mais nos aproximamos do essencial, menos conseguimos nomeá-lo. O tutano dos livros está nas esquinas das palavras. O mais importante dos bons romances amontoa-se nas elipses, no ar que circula entre as personagens, nas frases pequenas. Por isso julgo que não posso dizer mais nada sobre Pablo: o seu lugar fica no centro do silêncio.”

Sinopse: Quando Rosa Montero leu o diário que Marie Curie começou a escrever depois da morte do marido, sentiu que a história dessa mulher fascinante era também, de certo modo, a sua. Assim nasceu A ridícula ideia de não voltar a ver-te: uma narrativa a meio caminho entre a memória pessoal da autora e as memórias coletivas, ao mesmo tempo análise da nossa época e evocação de um percurso íntimo doloroso.
São páginas que falam da superação da dor, das relações entre homens e mulheres, do esplendor do sexo, da morte e da vida, da ciência e da ignorância, da força salvadora da literatura e da sabedoria dos que aprendem a gozar a existência em plenitude.
Um livro libérrimo e original, que nos devolve, inteira, a Rosa Montero de A Louca da Casa – talvez o mais famoso dos seus livros.

 

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