Teoria dos Limites – Maria Manuel Viana

teoriadoslimitesEscrever uma opinião sobre este livro deixa-me em pânico. Não escrever deixa-me triste e frustrada, porque gostei tanto e é justo que o diga e escreva.

A parte do pânico é mesmo por se tratar de um livro genial, e sei que nada do que eu escreva será suficiente. Além de que é um livro complexo, tão complexamente interessante, que não me atrevo sequer a tentar explicar do que se trata. Pois consigo imaginar o fracasso de me aventurar a delirar sobre Leibniz, teorias matemáticas e filosofias, as gaffes, os erros, os ovos podres na minha cara.

Sim. Sim, confirmo que não entendi tudo. Tenho pena mas é verdade. A Teoria dos Limites sugere-me tantas dúvidas e novas questões sobre a sua aplicação às personagens deste livro, à acção, ao enredo, à vida real, que me sinto esmagada pela minha própria ignorância e pela felicidade de tudo o que existe para aprender.

Como leitora (acho que) reconheço o brilhantismo quando o encontro, ou quando o brilhantismo vem ter comigo, que foi o caso. A perícia da escrita. A magnífica construção da narrativa em diferentes perspectivas da acção. A habilidade de manter o interesse no livro contando o mesmo ao longo de tantas páginas, focando o mesmo momento através de olhares e sensações diferentes. Eu vivi tantas vezes a mesma coisa e senti sempre tudo como se fosse a primeira vez. Por vezes foi algo cinematográfico, visto do lado da realização (como imagino que possa ser), a sequência de cenas, a construção do todo, os cortes e novas tentativas até chegar a este livro, a este todo feito de peças, que vale, acima de tudo, para mim, pela escrita diabolicamente perfeita.

Imperdível para todos os que buscam formas de se maravilharem.

Sinopse

“A realidade é muito mais inverosímil do que a ficção, diz, a certa altura, uma das personagens deste romance. O aqui narrado parte da concepção fantasmática de um génio, uma espécie de mundo de ficção científica, com dois universos paralelos habitados por mónadas, essas substâncias simples, esses pontos metafísicos, essas individualizações infinitamente pequenas, como quartos sem portas nem janelas dentro de uma pirâmide cuja base tenderia ao infinito, onde bastaria uma ínfima coisa para passar de uma realidade para outra, e onde cada um de nós vê o seu duplo e pode escolher entre ser herói ou banal, amar ou resignar-se, sentir prazer ou raiva com a felicidade alheia, lutar pela liberdade ou jogar as regras do jogo, viver com dignidade ou ser passivo, aceitar a ignomínia ou revoltar-se, julgar o outro pondo-se no lugar dele, adoptar muitas perspectivas para perceber o todo, perguntar-se em que é que a ficção supera a realidade, se na beleza ou na construção não tão utópica quanto poderia parecer do melhor dos mundos possíveis.”

Teodolito, 2014

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