O osso da borboleta, de Rui Cardoso Martins

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Um homem decide que a melhor forma de fugir à polícia é enfiar-se num sótão para o resto da vida. Alimenta-se de arroz e pombos, ouve música num rádio da segunda guerra mundial e, volta e meia lá vai roubar um bocadinho de água das torneiras dos vizinhos. Uma das vizinhas é uma velha solitária que passa o dia a insultar as plantas que teimam em não crescer. Depois há a outra que sonha com uma borboleta com cara de gente a ser atacada por uma abelha e ainda há uma peixeira que tem um filho. No meio de tantas histórias gostei mesmo foi da história do tal rádio da segunda guerra mundial e dos dois irmãos que queriam ouvir programas diferentes. E da história da Vera, claro.

Gostei deste livro que, para mim, vale mais pelas várias partes que pelo todo. As histórias dentro da história deixam-nos por vezes à deriva mas conduzem inevitavelmente a um fim. E falando em final e sem deixar nenhum spoiler tenho que admitir que gostei bastante do deste livro, cumpriu a sua função (ultimamente dou por mim a já não esperar um final a meu gosto antes a esperar simplesmente um final) e ainda me deixou com um sorriso apesar da crueldade da coisa.

Fez-me pensar a capacidade que o autor tem de nos pôr a aceitar a crueldade como algo aceitável, mediante determinados propostos, é certo, mas ainda assim a aceitar coisas que, teoricamente são inaceitáveis e que ali, preto no branco naquelas páginas finais quase fazem sentido. Quase, porque ainda assim não consigo deixar de pensar no que realmente faz o mundo ficar aparentemente mais bonito.

E depois de ter ouvido tantas opiniões diferentes e de ter tido o privilégio de ter ouvido o escritor a falar (este foi o livro discutido no encontro de Fevereiro da Comunidade de leitores na LEYA na Buchholz moderado pelo Luís Ricardo Duarte) a minha opinião mudou um bocadinho. Afinal compreendi um pouco melhor os porquês, os intuitos, tive oportunidade de considerar outras opiniões e nestes casos é inevitável que a leitura saia enriquecida.

É possível ler apenas a história que o escritor escreveu. Mas também é possível ler mais, ler nas entrelinhas desta história, ler ironias e denúncias, ler críticas e opiniões. Fica à escolha do leitor.

 

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