O Último Homem na Torre – Aravind Adiga

Liv01040504_fA história passa-se em Mumbai (Bombaim), cidade apresentada com todos os seus contrastes – novos-ricos sem princípios morais, pobres muito pobres sem hipótese de não o serem, pequenos burgueses que usufruem de uma vida tranquila graças ao trabalho do dia-a-dia. É com um destes grupos de cidadãos modestos e esforçados que se passa toda a trama do livro. Os moradores de duas torres de uma cooperativa de habitação recebem a proposta para abandonarem as suas casas, mediante uma elevada indeminização, para que seja construído nestes terrenos um conjunto de habitações de luxo. Se na torre B não há grandes questões e todos aceitam a proposta, na torre A começam a surgir os problemas, colocando em risco a concretização do projecto milionário. Nem todos os moradores da torre A desejam a mudança e assim, os resistentes começam a sentir a pressão, primeiro vinda dos construtores e das figuras que querem fazer o negócio e mais tarde, dos vizinhos com quem viveram em harmonia durante largos anos.

O livro é interessante no sentido de captar a vida de uma comunidade organizada e simples e a sua transformação após a proposta de venda da cooperativa. Uns facilmente mudam de ideias, outros nem por isso, sendo necessário recorrer a medidas menos simpáticas para influenciar e obrigar a uma aceitação da proposta…

Iniciei a leitura deste livro cheia de boas expectativas, uma vez que já tinha lido “O Tigre Branco” e “Entre os Assassinatos”. É um bom livro, uma boa história, contudo pareceu-me demasiado lento, perdendo o ritmo empolgante dos outros livros do autor. Logo no início imaginamos que a história vai chegar a um final tenso, tomando um certo
rumo, acutilante, frio, impessoal, mas o desenrolar de toda a acção é ligeiramente arrastado… mas gostei bastante!

“Agora vinha o pior. As luzes acenderam-se quando o comboio parou. Estação de Dadar. Pisadelas e empurrões; na carruagem escura da primeira classe (…) uma pança comprimiu-se contra Masterji – nunca se apercebera de que uma pança podia ser dura como uma pedra! O cheiro da camisa alheia infiltrou-se no odor da sua. Recordou-se de um verso de Hamlet (…) “Os milhares de choques naturais a que a carne está sujeita?” Shakespeare subestimava por larga margem os traumas da vida em Bombaim”.

“Masterji deixou-se ficar deitado às escuras, a sentir o peso de dois andares por cima da sua cabeça e de outros três por baixo dele, onde moravam as pessoas que o tinham expulsado da casa onde morava havia trinta e dois anos; pessoas essas que já nem sequer o consideravam um ser humano”.

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4 pensamentos sobre “O Último Homem na Torre – Aravind Adiga

  1. Fiquei curioso, Ana! 🙂

    2015-01-25 22:57 GMT+00:00 WordPress.com :

    > Ana Marques da Silva posted: “A história passa-se em Mumbai (Bombaim), > cidade apresentada com todos os seus contrastes – novos-ricos sem > princípios morais, pobres muito pobres sem hipótese de não o serem, > pequenos burgueses que usufruem de uma vida tranquila graças ao trabalho do > dia-“

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