Não se encontra o que se procura – Miguel Sousa Tavares

naosenecontraoqueseprocuraNeste livro há um pouco de tudo. Desabafos, memórias, relatos de viagens. Envolvi-me muito com os textos sobre o processo de escrita e o grande prazer de escrever. Por me identificar, por gostar muito de ler e escrever.

Gosto do estilo do Miguel, da forma como se “está nas tintas” para o que pensam dele, e do modo como diz o que pensa e lhe apetece. Por um lado acho sempre os seus livros libertadores, mas por outro questiono a atitude de quem acha que tem sempre razão, ou assim o Miguel aparenta. Gosto da ideia do tipo que faz e diz o que quer, invejo-a às vezes, mas ao mesmo tempo deixa-me um bocado de pé atrás. Esta contradição sempre me impeliu para os livros dele. A rebeldia dá estilo, deve ser isso.

Enfim. Apesar deste “Não se encontra o que se procura” (excelente título, completamente verdade e com diversas aplicações) ser um bocadinho para o morno, está lá o Miguel rebelde, curioso e com sede de conhecer, que corre o mundo em viagens e olhares, a bagagem cultural, a entrega aos livros, a vida mundana, os vícios e os prazeres.

O início é promissor mas depois, infelizmente, vai arrefecendo. Alguns textos saboreiam-se com um sorriso, em algumas ocasiões sente-se mesmo o cheiro das comidas e de outras paragens. Irei certamente reler algumas passagens mais marcantes, mas esperava mais.

“(…) eu escrevo para dar um uso às palavras que todos temos de usar, de deitar cá para fora. Porque, por mais importante que o silêncio seja para mim – e é – há alturas em que o silêncio esmaga e eu preciso combate-lo, escrevendo. Mas também escrevo por prazer – nem sempre, mas em alguns dias ou noites mágicas, em que parece que voamos sobre as páginas, numa espécie de levitação absoluta, que suponho seja aquilo a que se chama inspiração.” (Pág. 104)

Sinopse

“A escrita, a viagem, a memória, a vida fora da espuma dos dias, a descoberta, o apelo do desconhecido, o instante em que tudo pode acontecer, tudo isto está no novo livro de Miguel Sousa Tavares.
Nesta viagem fora do seu quarto, o autor transporta-nos ao seu mundo mediterrâneo, ao sul de Portugal, à Croácia, a Roma, à Sicília, ao Brasil e aos lugares da História por onde passaram figuras gigantes. No regresso a casa, explica a razão da sua escrita. A sós, com as palavras, viaja para dentro de si para partilhar aquilo que só os grandes contadores de histórias sabem fazer, seguindo o lema: “Viajar é olhar”.”

Clube do Autor, 2014

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