O tempo morto é um bom lugar, de Manuel Jorge Marmelo

o tempo morto é um bom lugar
Parte 1 (28/12/2014)
Será que uma boa ideia e uma escrita exemplar são suficientes para escrever um bom livro? Até ter começado a ler este livro diria que sim. A premissa de que “afinal a prisão é um bom lugar para se estar, casa cama e roupa lavada e a total ausência de responsabilidade no que se refere a contas para pagar, impostos e pensão de alimentos” é, de facto genial. E a escrita do escritor é irrepreensível.
Mas então porque me custou tanto ler esta primeira parte deste livro? Depois do primeiro contacto com a ideia, prefiro não a esmiuçar página sim, página não. A sério, torna-se irritante estar sempre a ler a mesma ideia escrita de formas diferentes… ou mesmo iguais. Foi um exercício de perseverança, paciência e teimosia literária continuar a este livro.

Uma nota para as histórias dentro da história: fascinantes. Foram mesmo o que salvou esta parte.

A questão é mesmo: será que compensa?

Parte 2 (29/12/2014 22:15 mais minuto menos minuto)

Surpreendentemente fiquei fascinada pela autobiografia de uma celebridade instantânea morta. E como a escrita continua interessante li num ápice esta parte do livro. Afinal a morta é muito mais interessante que o suposto assassino confesso que adora estar preso e que na verdade não tem a certeza de ter  assassinado a miúda.

Afinal quem raios matou a desgraçada?

*** Spoiler alert – vá, quem não leu vá-se embora, volte depois, não me digam que não avisei)

Parte 3 (29/12/2015 23:56)

Raisparta estes escritores e os seus fins em aberto que me deixam sempre com vontade de estrangular alguém. Tenho este defeito de gostar de ler uma história bem contada. Sei lá, devo ser demasiado preguiçosa para me pôr a imaginar finais e de destrinçar a verdade da mentira. Os personagens são vossos, a história é vossa, a verdade é vossa e eu é que tenho de saber o que raio se passou? 

Esta última parte do livro foi lida de uma assentada, comigo a ter mil ideias acerca do que se tinha passado, a ler nas entrelinhas, a construir e a desconstruir teorias e cenários.

Depois de quase ter desistido na primeira parte, completamente farta daquela repetição de ideias que me estava a dar cabo dos nervos, fui completamente conquistada nas segunda e terceira partes. Deixei-me enredar nesta história, li cada frase com calma, sorri (ou limitei-me a acenar e a concordar) com as reflexões tão atuais e tão bem escritas, entusiasmei-me e elevei expectativas à espera de uma revelação, de uma reviravolta qualquer que fizesse tudo ter sentido e desiludi-me novamente num final morno, filosófico e abrupto que não me conseguiu convencer (juro que estava quase à espera que o jornalista descobrisse o assassino e batesse as botas com um sorriso irónico).
Este género de final está cada vez mais na moda, talvez por envolver o leitor e dar-lhe alguma importância e certa uma sensação de inteligência. A mim não me agrada por aí além. Nunca me sinto dona das histórias e neste caso sinto-me até excluída. Há sempre a possibilidade de ter perdido algumas coisas ali pelo meio e de toda a gente, menos eu, ter percebido tudo (e não me venham, por favor com a teoria de que ninguém existia realmente, de que eram personagens dentro das histórias ou de que o importante é tudo o resto, todas as ideias giras mas soltas, ok?).

Em resumo: gostei mas…

Nota: isto foi mesmo escrito aos bocadinhos depois de cada parte do livro o que torna esta opinião um bocadinho “esquizofrénica” mas foi mesmo assim que me senti enquanto li este livro. E que, como sempre, pretende apenas transmitir a minha opinião “a quente” da forma mais honesta possível.
E apenas uma correcção em relação ao que escrevi no início: não é “uma boa ideia e uma escrita exemplar”… são “muitas ideias fantásticas e uma escrita exemplar” que realmente salvam o livro. 

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