Morte nas Trevas, de Pedro Garcia Rosado – Opinião

Pedro Garcia Rosado (PGR) traz o crime, a morte, a conspiração, a máfia e as cenas chocantes para cenários bem perto de nós. Das falésias à Rocha do Gronho, das Caldas da Rainha a Lisboa, com um passeio pelo subterrâneo, o mestre do thriller já nos desencaminhou para todo o lado. A nós e ao inspector, ou melhor, ex-inspector Gabriel Ponte, a quem eu insisto em baptizar de Gabriel da Ponte. Não sei, soa melhor.
Neste Morte nas Trevas, há um resquício de malvadez com sotaque de leste, trazendo à tona o que muitos querem camuflar, o submundo do crime das máfias de leste.

Nesta saga, que já vai com três volumes, Gabriel Ponte não segura a ânsia que tem por novas investigações e é incapaz de não abraçar um novo desafio. Apesar de calcular as consequências, nem sempre é fácil lidar com o inesperado e avaliar mentes tão bizarras e dementes.

O enredo aqui traçado é sempre inteligente, detalhado, extremamente profissional e sem laivos de vedetismo ou cenas estratégicas, só para entreter o leitor. Antes pelo contrário, PGR parece querer sempre o seu leitor, bem informado, atento, desperto e curioso, é claro. Todos os episódios e reviravoltas são apelativas e intensas, sem exageros ou cenas violentas desnecessárias. E talvez seja isso que por vezes ainda aumenta mais o realismo. Nada aqui parece “à filme”, se é que me faço entender.

Já com traços cinematográficos temos as cenas de maior violência, arrepiando o leitor e fazendo virar a cara e franzir a testa, tal é a profundidade a que o ser humano pode descer no seu processo de desumanização, brutalidade e violência. No entanto, devo dizer que ainda esperava pior. A minha mente, talvez também macabra e já habituada a esperar enormes doses de violência, adivinhou, imaginou, um futuro bem sangrento e horrendo perante o pouco que o véu do prólogo desvendava. Em parte, foi acutilante, mas não tão macabro como esperava… talvez a culpa fosse da série Hannibal… que em atormentar a mente ao espectador não houve ultimamente nada como aquilo.

Ainda assim, PGR vem catapultando as doses sanguinárias dos seus policiais, bem como, nos traz sempre temas actuais e um tanto alarmantes, um pouco como um aviso: pode acontecer, acontece e parece acontecer aqui ao lado. Será que há uma mensagem nas entre linhas, desassossegando o leitor português, retirando-o do conforto deste paraíso tranquilo à beira mar plantado!?

Continuarei, sem dúvida, a seguir a escrita de PGR, bem como irei ler os livros com a guest star deste livro, o Ulianov, já que a série «Não matarás» está nawishlist faz tempo.

«Estamos a construir uma coisa. E desde o nada. Todas as peças são importantes.»
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