Valentina, o lado obscuro do desejo – Evie Blake – Opinião

A emblemática personagem e heroína de BD criada por Guido Crepax, Valentina Rosselli é agora trazida para a literatura erótica pela mão de Evie Blake, pseudónimo da escritora inglesa Noëlle Harrison.

Conheci esta (nova) versão de Valentina depois de alguma troca de comentários e ideias, em conversa com a autora. Fiquei com curiosidade pela leitura, já que me despertou à atenção a conjugação de duas histórias, a de Valentina e Belle, com episódios relacionados entre si, pelo desejo, paixão e mistério, mas também pela tensão, obscuridade e erotismo de ambas as mulheres.

Essa oscilação entre passado e presente e esse cruzamento de ideias de libertação sexual como fio condutor do amor e do firmamento de uma relação entre duas pessoas, garante, desde o início a atenção do leitor.

Valentina é uma mulher moderna, sofisticada e fotógrafa profissional, com tendência a explorar o lado mais sensual e misterioso do corpo. Isso irá valer-lhe entrada directa para o (tal) lado obscuro do desejo e irá revelar-lhe segredos íntimos sobre ela mesma.
Desejos reprimidos, tendências submissas e descobertas de prazer como ainda não havia experimentado. E claro, o amor!

Belle, a mais famosa cortesã veneziana ou Louise Brzezinska, uma socialite, vítima de um casamento molestador e opressivo que encontra na prostituição, digamos de luxo, o refúgio adequado para reencontrar o prazer e o amor, sem opressões de época, dando e recebendo prazer.

O que une esta duas mulheres para além do desejo mais obscuro?
Há mais para além do bob negro que as caracteriza ou do cunho fotográfico que acompanha as suas experiências mais sensuais… mais isso descobrirão na leitura.

Face ao enredo, há todo um lado verosímil, muito bem conjugado com um lado mais sonhador e restrito, acompanhado habilmente pelos capítulos na Veneza de início de século, que dão um glamour extra à história. É como se mais do que uma mulher habitassem em Valentina e que esses testemunhos passassem pelas lentas que captam os melhores momentos, os de maiores prazer e entrega que, no final, dão origem a uma nova Valentina, mais consciente de si e pronta a seguir o homem que ama em todas as facetas que o amor assume.

Há todo um jogo enigmático e sensual entre as partidas e retornos de Théo, companheiro e amante de Valentina, como se este sim fosse o pirata que partia para alto mar, em aventuras arriscadas e sem compromisso de voltar a bom porto. Existe em todos os personagens uma vida dupla. Uma vida vivida e uma vida que se deseja viver.

Creio que sendo um livro erótico ou apenas um romance mais detalhado, Valentina pretende passar a mensagem de que todos temos desejos reprimidos e que a descoberta dos mesmos será um passaporte para uma vida menos dupla, numa maior aceitação e tranquilidade para simplesmente vivermos melhor com nós mesmos e mais felizes.

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