“Microenciclopédia de micro-organismos, microcoisas, nanocenas e seus amigos de A a Z” de Patrícia Portela, Joana Bértholo, Pedro Medina Ribeiro, Dr. Bakali, José Maria Vieira Mendes, Rita Taborda Duarte, André E. Teodósio, Afonso Cruz e António Carlos Cortez com ilustrações de Maria João Lima

Microenciclop

Obra escrita a várias mãos, esta Microenciclopédia nada tem de pequena, nem de micro, muito menos de nano. Pelo contrário, esta foi uma mega, arrisco mesmo a dizer giga, ou talvez até teraleitura; uma esplêndida e ENORME experiência de leitura feita de sorrisos, reflexões e frequentes ondas de saborosas gargalhadas. Este livro, um híbrido de literatura, imaginação, sátira social e política e ciência, tanto real quanto inteligentemente inventada, é verdadeiramente refrescante, perspicaz, irónico, criativo e, sobretudo, divertidíssimo.
Abrir os olhos. Olhar em redor. Ver.
Observar, descrever e perceber como a ciência.
Observar, representar e sentir como a arte.
Quem disse que arte e ciência são duas rectas paralelas condenadas a nunca se intersectarem?
Arte e ciência são, afinal, as duas faces de uma moeda chamada criatividade e é muito bom ver pontos de união em vez de segregação; perceber a arte, a beleza, existente na ciência e também a ciência, a técnica, inerente a toda a arte. Juntas dão-nos um retrato da realidade mais completo e infinitamente mais rico. Ambas expandem a percepção de nós próprios e do incrível Universo em que vivemos.

Vale bem a pena ler esta Microenciclopédia! Além disso, as ilustrações nela contidas são belíssimas.

Excertos:

“Célula – Representa a menor porçãozinha de matéria viva mas também a mais importante. É um facto que alguns organismos, tais como as bactérias, são unicelulares (consistem em uma única célula muito senhora de si, muito independente e muito feminina (ou masculina, uma bactéria pode sempre armar-se em gajo ou gaja porque não é nenhum deles…mas enfim, isto era tema para outra conversa). Mas outros organismos, tais como os seres humanos, são multicelulares: isto é, sem uma célula não haveria duas, e sem duas nunca haveria quatro e sem quatro nunca existiriam os 10 triliões de células que formam seres tão complexos como: NÓS! Isto sem contar com as “nossas” mais de 90 biliões de células de microrganismos que vivem em simbiose (eu diria mesmo dentro) do nosso organismo – uns em paz, outros não, como sabemos. Sim, invisíveis e orgânicas, as células são as unidades estruturais e funcionais dos seres vivos. De tooooooooooodos os organismos vivos, mesmo todinhos, sem excepção.”

“Nano-Rattus-Vampirissimus (vulgo Rato-Vampiro) – Rato de pequeníssimo porte, praticamente invisível a olho nu. De pele branca e nua, os seus característicos olhos transparentes adquirem uma tonalidade vermelho-rosa ao redor da íris. Desde os anos setenta que cientistas da Universidade de Harvard tentavam isolar este ínfimo roedor em testes laboratoriais, mas só em 2008 é definitivamente descoberto, em instituições bancárias dos grandes centros de decisão da Europa e dos Estados Unidos, tendo sido de imediato catalogado como espécime extremamente perigoso e letal, pelo centro de investigação independente Antikapitalissimus. O rato-vampiro deve esta designação à dimensão desproporcionada dos seus dentes caninos, três vezes maiores do que o seu corpo. Uma dentada sua pode afectar irremediavelmente o ser humano. Entre os sintomas mais comuns deste roedor estão a cobiça, hipocrisia, inveja, cobardia, tibieza, além de uma genérica tendência para situações de conflitualidade e uma tenaz capacidade de resistir à verdade. Apesar de ser um animal urbano que tem como habitat natural instituições de poderio económico, prefere procriar nas zonas ajardinadas dos ministérios das grandes cidades ocidentais. Relvas e coelhos são condição essencial para que o rato-vampiro possa proliferar: a relva e ervas daninhas oferecem o abrigo de que este animal necessita para proteger as crias dos contribuintes indignados, seus únicos predadores, e os coelhos são o hospedeiro privilegiado deste temível e esquivo parasita urbano.”

“Hospedeiro – Um hospedeiro é homem, mulher, animal ou outro, que proporciona abrigo a outro no seu próprio interior ou o carrega sobre si. Este é normalmente um viajante, um parasita, um comensal ou um mutualista. A palavra hospedeiro deriva do latim hospitator (visita ou hóspede), e é sempre do género masculino, visto que uma hospedeira é uma outra espécie, uma entidade possuidora de asas e que causa a hemorragia das boias de salvação e o inchaço grave dos coletes-vidas.”

“Terra – A Terra é o terceiro planeta a partir do Sol. É o quinto mais maior e mais massivo dos oito planetas do Sistema Solar, sendo o maior e mais massivo dos quatro planetas rochosos. Além disso, é também o corpo celeste mais denso do Sistema Solar. A Terra também é chamada de Mundo ou de Planeta Azul, mas no mundo microscópico chamam-lhe Minigigante e riem-se a bandeiras despregadas dela por se considerar tão gigante quando no fundo não passa de mais um micro-organismo à escala universal.”

 

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