Longbourn: amor e coragem de Jo Baker

longbournApesar de existirem muitos livros inspirados nas histórias de Jane Austen, sejam continuações, diários ou versões com zombies e outras criaturas sobrenaturais, não posso dizer que tenha lido muitos e dos poucos que li ainda menos são os memoráveis ou que fazem justiça à obra mãe, digamos assim. Este é mais um desses.

Por incrível que pareça, este peca sobretudo por se colar tanto à obra original, já que se fosse uma obra independente, se dedicasse a contar simplesmente a história dos criados de uma qualquer família da época georgiana, teria muito mais liberdade para explorar as personagens upstairs e contrastar com as de downstairs. No entanto, ao partir de personagens e de uma história que já se conhece, esta nova visão acaba por empalidecer personagens que fazem do original uma obra intemporal. E estas personagens tanto são vistas como vápidas e depois tão dignas de consideração pelos criados, que leva uma pessoa a pensar se estas não serão inconstantes.

Infelizmente, o facto de as personagens de Austen serem menos entusiasmantes não leva a que as personagens em que se centra a história, os criados, sejam mais interessantes. Excetuando James Smith, as suas histórias são banais e parece haver uma tentativa de copiar também o drama original, o que não resultou de todo comigo. Sim, tenho a plena noção que realmente a vida destas pessoas deveria ser banal, com longos dias todos eles iguais ao anterior ou à semana que lhe antecedeu, e sinceramente é neste ponto, no retrato do quotidiano, que este livro se destaca, mas as próprias personagens não aprecem ser desenvolvidas de forma conveniente acabando por ser arquétipos que são melhor desenvolvidos em outras obras semelhantes, nem que seja “Downton Abbey” com todos os seus defeitos.

O drama de Sarah parece patético e o de Mrs. Hill parece um daqueles de faca e alguidar. Há também temas que, apesar de não duvidar que existissem naquele tempo, me parecem ter uma abordagem muito moderna. Além de que tudo é previsível, e não me refiro apenas aos dramas do livro original que atravessam, em segundo plano, esta história.

Como disse, o retrato do quotidiano below stairs, a que junto o período que um dos personagens passa na guerra peninsular, foi o que de melhor encontrei neste livro. Apesar de repetitivo, e por isso mesmo, o dia-a-dia pareceu-me credível, fazendo mesmo dar valor às pequenas inovações tecnológicas que temos em casa e que tanto nos facilitam a vida. Já a sua ligação a Orgulho e Preconceito acaba por ser o menos conseguido, pois acho mesmo que se fosse uma história independente, e não uma outra visão sobre aquele livro de Austen, teria aceite melhor algumas das situações que aqui são retratadas.

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