“Saber Perder”, David Trueba – Opinião

«SMS: posar-li memoria al temps», Josep Santilari, 2005
Não consigo iniciar um comentário a este livro de Trueba sem que antes refira o impacto da capa. Há em todo este cenário, aparentemente calmo, mas ansioso, que reflecte na totalidade, o espírito inquieto, lânguido, um tanto sensual e ainda de resignação que reside em cada uma das histórias de vida que aqui são narradas.
É um poder enorme o desta composição, que a um primeiro olhar parece banal e rotineira, mas que encerra em si inúmeras preocupações e ansiedades desconcertantes.
A procura por uma resposta, a mensagem que não chega, a solução que tarda, osim ou o não pretendido que falha e que não corresponde…
É, em toda essa complexidade do quotidiano, mas também na sua beleza, que o enredo, quase só familiar, de Saber Perder se foca e é tão bom, tão real, quanto assombroso e próximo.
Todo este Saber Perder de Trueba foi uma surpresa. Há uma certa embriaguez e um tanto de volúpia que dão um toque de magia e de esperança aquilo que é narrado e que se desenrola sem segredos na nossa frente. Ainda assim, teimamos em querer ver para além daquilo que há e vai continuar a existir, a perda, a dor, o sofrimento infligido no próximo, a morte, o esquecimento. E é nessa dualidade, ora de prazer como de dor, ora de extravagância como de recatamento, que Sílvia ou Leandro se deslumbram com proibições ou Lorenzo e Ariel aceitam as rasteiras da vida.
As histórias cruzam-se e alimentamo-nos delas ao longo de quase quinhentas páginas, sabendo que são quase mil, tal é o enredo ou as letras miudinhas que dificultam as largas horas em que nos embrenhamos na história. Até isso, uma certa demora em ler o livro, parece propositado, como que nos fazendo ver que a vida pode muito bem desacelerar…que nós só temos a ganhar com isso.
Com amor, humor, emoção, desilusão, aventura, mas também abrandamento, todos os personagens desta vida comum vão terminar a celebrar esta aventura que é saber perder para saber (continuar a) viver!

Saber Perder foi o romance vencedor do Prémio Nacional de la Critica, em 2009 e o júri não hesitou em compara o elevado realismo literário com o romance  A Colmeia, do Prémio Nobel da Literatura de 1989, Camilo José Cela. Fica mais uma referência para juntar à wishlist de leitura.

Encontrei Quatro Amigos que não me conquistaram! 😉
Apostei em Saber Perder que, confesso, agarrou-me!
Resta-me agora encontrar Aberto toda a noite e render-me a Trueba.
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