Revolução Paraíso, de Paulo M. Morais

paraíso O tema dirá muito a uns, pouco a outros, o verão quente, o ano de 1975, aquele pós-revolução que trouxe o PREC e figuras incontornáveis na história do nosso Pais. Eu tinha doze anitos, recordo, ainda que com o olhar e sentir de uma criança pré-adolescente, aqueles tempos de verdadeira mudança, de um regime longo demais para a democracia dos nossos dias. E, pegando neste tema, que para uns seria uma armadilha repetitiva, para outros uma emoção descontrolada, o Paulo Morais escreve um romance, cheio de verdade, mantém-se equidistante em relação às mil e uma forças politicas daqueles tempos, onde por vezes cabia pouco equlíbrio e sensatez, traz-nos personagens de truz e záspás. gente que existiu mesmo, viu aquilo mesmo, reagiu assim mesmo, fez-se á vida ou por atalhos ou por convicções. Traz-nos a louca montanha russa dos dias em que as horas traziam ânsias e agonias, em que as pessoas lutavam para que seus cérebros abarcassem a nova realidade e dela soubessem fazer uso. Passeamos pelo Cais do Sodré, suas tascas, seus bares e suas putas, vigiamos os passos de chulos e de antigos pides, convivemos na redacção de um semanário surreal, com linotipistas surpreendentes, revolucionárias do MRPP e homens como se não vêem já. Adamantino Teopisto e César Precatado merecem desde logo, por seus nomes de rara acutilância, mais suas vidas e caminhos, merecem a nossa melhor atenção e companhia. Como a puta Amália ou o Senhor Lopes. Como todos os nomes de toda a gente que tanto decidiu e hesitou no quente e longínquo 1975. Acreditem que iria agora mesmo, assim tal me fosse possível, à Tasca das Gatas mamar umas iscas. Beberia um jarro de branco e encantar-me-ia com uma das personagens mais misteriosas que alguma vez me apareceu pela frente: Eva! Eva é o golo do meio da rua, é a pincelada impensável na tela, é a martelada perfeita no ângiulo da pedra. Eva é nota só, é concerto e recital. Leiam ‘ Revolução Paraíso ‘ … pois não fazê-lo será descuido e desperdício que quase merece castigo! Paulo Morais … ou Paulo M. Morais … saúdo-te com uma reverência … que livrão nos ofereces.

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Um pensamento sobre “Revolução Paraíso, de Paulo M. Morais

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