Terra de Milagres – João Felgar

terra de milagresUma boa amiga recomendou e emprestou-me este livro. Mesmo para quem muito lê, livros há que se destacam. Este é, sem dúvida, assim. Uma excelente prenda de Natal, podem crer! (Não, não conheço o autor.) Um livro para ler e reler e olhar para dentro de nós.

Para além da inegável qualidade da escrita ao contar com segurança e sem hesitações uma história tão absurdamente portuguesa com a fé e o fanatismo no comando das operações naquela pequena comunidade isolada do mundo por uma ponte que ruiu, temos uma galeria de personagens com sentir e sensibilidade feminina, admiráveis e impressionantes. Força, coragem e determinação, mas também medo, dor e solidão. Segredos, medo e ambição de Adelaide, que toma as rédeas e a quase todos verga. Comandante de um pequeno exército que treinou com o intuito de a proteger, e ocultar um tenebroso segredo, que a sua cega e desmedida ambição e vaidade não queria revelado.

Os acontecimentos precedem-na e Júlia, Leta Mirita, Gualter e Agripina vão descobrir o enigma de um bebé que nasceu na colónia dos leprosos.

Leitura voraz e pasma que não se esquece. Tanto para discutir e sublinhar nas palavras sábias de Júlia. Luzia de Siracusa, uma não personagem no cerne da trama.

Tenho um reparo a fazer, que não diminui o meu apreço por esta obra que aplaudo, mas que não posso deixar de referir. Uma gralha com um nome de um dos gémeos que se repete inclusive na mesma página, onde surge como Constante e Clemente.

E mais não conto, obrigatório ler. Obrigado Cristina Delgado.

Sinopse: 

Júlia é costureira numa aldeia do interior português. Na mesma terra, vivem as suas filhas Leta Mirita e Adelaide. A primeira vive um casamento infeliz, depois de se ter entregado a um homem que lhe prometeu «uma vida bonita». Quanto a Adelaide, só ela sabe o que se passa entre as paredes do quarto que partilha com Antero, seu marido.
Numa noite de temporal o rio invade a aldeia, destrói a ponte que a liga ao resto do mundo, e leva consigo os seis filhos varões de Adelaide. Quando as águas do rio se acalmam, Luzia de Siracusa, filha de Adelaide, vive os seus primeiros arrebatamentos místicos. A fama de santa e milagreira corre veloz, e dá origem a um culto popular que atrai à aldeia multidões de peregrinos e devotos, indiferentes à hostilidade que o fenómeno inspira às autoridades eclesiásticas.
Ódios e cumplicidades entrelaçam-se com os comportamentos e hábitos do nosso tempo e da nossa terra. Uma terra onde por trás de um segredo se esconde sempre outro, e onde nem os milagres são o que parecem.
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Um pensamento sobre “Terra de Milagres – João Felgar

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