Em busca do Carneiro Selvagem, de Haruki Murakami

carneiro selvagem

Wild Sheep Chaseou Wild Geese Chase ou em bom Português “ à caça de Gambozinos” (esse mítico animal que para mim terá sempre rabo de saca-rabo e orelhas de zorrinha).

Murakami mesmo quando não é muito bom (como me pareceu neste livro de que não gostei tanto como de 1Q84) é fantástico e uma vez mais guia-nos para o meio de uma história onde muito pouco do que parece é. Desta vez não há duas luas no céu mas há um carneiro muito especial de quem todos parecem andar à procura. Depois de uma primeira estranheza não nos é possível ignorar que o carneiro está mais que presente em todo o lado. Assim de repente é um dos signos do zodíaco, está presente na religião (o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, S. João que é representado com o cordeiro), na mitologia Egípcia (O deus Amón), na Grega (hermes) e em várias culturas espalhadas por esse mundo for a (China, Índia, África, Europa), etc, etc.

 Por isso, como sempre, esta busca de que nos fala o livro, está sujeita a múltiplas interpretações. O que sabemos é que o protagonista (de quem nunca sabemos o nome) é um homem desiludido com a sua vida pessoal e emocional, mediocremente vencedor na sua profissão e sem objectivos de vida, sem objectivos ou projetos de futuro.

Este homem vê-se subitamente obrigado a sair da sua zona de conforto, a encarar as dúvidas  existenciais que tem, a fechar de vez algumas portas do passado e a encontrar-se. Com ele conhecemos (uns melhor do que outros) personagens fascinantes. Há uma modelo de orelhas, um homem, outrora de sucesso, conhecido como professor carneiro que vive fechado num quarto, há um motorista que tem linha direta para deus e que gosta de gatos e há um homem conhecido por Rato  (e outros, que este livro tem imensos personagens).

 Uma vez mais foram as descrições que me obrigaram a gostar deste livro. Murakami consegue, estranhamente, fazer-me gostar de ler sobre nada –nunca soube tanto acerca do pastoreio de carneiros como agora – ou sobre tudo. Porque a verdade é que este livro pode ser lido literalmente (e aí, convenhamos, não é grande coisa) ou metaforicamente e aí a mestria de Murakami está patente.

 E apesar de não ser o melhor livro de Murakami (está longe do 1Q84) é, sem dúvida de Murakami. Está cá tudo: as descrições, o fantástico, o surreal (ok, não há homenzinhos a sair da boca de ninguém, nem duas luas no céu mas….), a comida (acho que na prática a maioria das receitas deste fulano devem ser péssimas mas ali, nas páginas do livro, até aipo com maionese -1Q84- ou sandes de pão caseiro duro como pedra parece delicioso), as referencias musicais ou literárias (eu não conheço a maioria mas as notas da tradutora ajudam imenso).

 Apesar de não ter amado este livro Murakami continua a ser um dos meus escritores favoritos, um daqueles de quem quero ler todas as obras.

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