No céu não há limões, de Sandro William Junqueira

no céu não há limões

Na maioria dos livros a escrita depende da estória. Aqui, nitidamente, a estória rende-se à escrita. Ainda não sei se isso me agradou.

Num livro busco acima de tudo uma estória bem contada que me faça encontrar outros mundos, que me permita identificar-me com alguns personagens. Claro que a escrita é fundamental mas é à história que dou o papel de protagonista.

No céus não há limões é uma estória distópica que se nos apresenta de uma forma nada linear. A primeira coisa que percebemos é que nenhum personagem tem nome. Todos eles nos são apresentados de acordo com uma característica mais ou menos vincada. O padre, o Funcionário, os Gémeos, a Avó, a Adolescente, a Viúva, o Ogre, O Raquítico de cabelo ralo, o Aleijado, o Acólito, a Filha. Curiosamente o único que tem nome é o gato, Mau-Mau. E como numa peça de teatro um mundo diferente (e limitado) desenvolve-se sob os nossos olhos.

Na maioria das distopias a análise sociológica do mundo criado é o mais importante e o que mais desperta a atenção do leitor. Essa análise sociológica está bem presente neste livro mas não da forma habitual. Uma peça de teatro, uma experiência num laboratório, cujo espaço e tempo nos vão sendo desvendados ao longo das páginas.

Apesar de não estar (ainda) rendida a esta forma de romance, de não saber se alguma vez vou estar, apesar de preferir sempre uma estória bem contada, gostei de ler este livro, gostei de ler cada página, de reter frases, pensamentos, estados de espírito. Sendo um livro com um ritmo lento e que não nos faz correr para o fim (perdi cedo a esperança de um final fechado pelo que mais valia apreciar o caminho) pode ser lido com toda a calma e apreciado pelo que tem de melhor: a escrita.

Quanto à Estória, bem, acredito que neste, mais do que em qualquer outro livro, cada leitor tenha a sua interpretação pelo que não faz grande sentido falar muito dela. Cada um terá que o ler e construir a sua própria opinião.

Uma última nota para a capa deste livro. Extremamente bem escolhida. As cores desta capa acompanharam-me ao longo de toda a leitura.

Sinopse:

No Céu não Há Limões descreve um mundo em guerra entre o Norte rico e o Sul pobre, em que os pobres do Sul tentam por todos os meios ter acesso ao bem-estar do Norte, e os do Norte usam de todos os meios para conservar a sua riqueza só para si.
Sandro William Junqueira não apresenta soluções, mas à medida que o livro se aproxima do final uma personagem se destaca – o padre –, procurando uma saída. Será esta uma saída?
O autor não dá a resposta. A resposta fica com cada um de nós, porque este é o nosso mundo.

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2 pensamentos sobre “No céu não há limões, de Sandro William Junqueira

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