Dizem que Sebastião – João Rebocho Pais

Dizem que Sebastião“… Sebastião aprendeu a voar.”  Não foram os pombos que o disseram. É a última sentença do último capítulo deste livro, e não deixa de ser uma boa síntese desta história.

Não é habitual, mas comprei este livro porque a sinopse convenceu-me de que era o tipo de leitura que procurava para aquele momento. As primeiras páginas, agarraram-me à história do Sebastião, um gestor dedicado e empenhado no sucesso e lucro da empresa, como tanto outros que por aí conheço, mas que vivem na solidão e no vazio fora do horário de expediente. Margarida, uma desejável e inteligente mulher, perturba o Sebastião o suficiente para ele sair da sua zona de conforto e ousar um convite, que não poderia ser mais desastroso dada a sua ignorância literária e incapacidade para descobrir assuntos de interesse em comum. Nada como uma mulher para redimensionar o mundo de um homem. Mas não é somente ela, porque vai contar com a colaboração do doutor Boavida, quando sujeito aos seus cuidados após umas palpitações que bem poderiam ser de paixão assolapada mas são um amoque cardíaco e Simplício, o afável e naturalmente simpático livreiro que o orienta na sua redescoberta dos autores clássicos, homenageados e até esquecidos nessa Lisboa, que tantas vezes percorremos apressadamente.

Depois de um interregno irregular na leitura, deparei-me com diálogos telepáticos, que mais não eram do que monólogos do Sebastião com escritores que, anteriormente não fizeram parte da sua vida, mas que nesta nova fase procurou conhecer e incluir, quando percepciona e se insere livremente no ambiente que o rodeia.

Em suma, escrita espirituosa que tanto me apraz, numa narrativa enriquecedora e divertida. Um realce sobre o quanto nos distanciamos do que realmente gostamos e engrandece a nossa vida.

Sinopse:

Uma viagem pela cidade de Lisboa na companhia de grandes escritores…

Sebastião Breda, vice-presidente de uma multinacional, workaholic e quarentão abastado, percebe um belo dia que a vida lhe tem passado ao lado e decide remediar a solidão convidando uma colega para um jantar romântico. O problema é que a sua bagagem não vai além de estratégias de venda e planos de marketing – e o arraso que leva de Margarida à mesa do restaurante é humilhação bastante para que o seu coração acabe a pregar-lhe um valente susto. O médico recomenda-lhe então um ano de descanso, e Sebastião resolve aproveitá-lo a cultivar-se, fazendo, numa livraria da Baixa, um amigo que lhe dá bons conselhos e sentando-se junto às estátuas dos escritores espalhadas pelas praças e jardins de Lisboa, que, eloquentes à sua maneira, o iluminam sobre os mais diversos assuntos, entre eles, evidentemente, a questão feminina. Um ano depois, não se pode dizer que Sebastião seja o mesmo homem.

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