“Mar Humano” de Raquel Ochoa

Fui conhecer a Raquel aquando da apresentação deste seu livro na FLL. Intrigaram-me as palavras que escreveu no autógrafo: “Ninguém pode contar a tua história”. Fez sentido quando acabei o livro. Todo o sentido.

A primeira obra que li desta autora ficou-me no coração já há alguns anos: “A Casa-Comboio”. Seguiu-se depois “O Vento dos Outros”. Admirei-lhe a coragem do tom intimista. Muitas das coisas que se escrevem são nossas e nem sempre conseguimos partilhar. “Sem Fim à Vista” aguarda na estante a sua vez.

Amigas que leram “Mar Humano” adoraram-no. Quando comecei a lê-lo pensei que não “existe amor como o primeiro”… Não foi fácil conquistar-me este livro, não senhora! Ouvia cá dentro a adjectivação espectacular usada por essas amigas e mais dificil se tornava entrar na história. Ela conquistou-me aos poucos mas firmemente.

Creio que a vida de Raquel se lê neste livro. Não que ache que alguma personagem traduz o que é a Raquel, ou melhor, o que é a sua vida, não! Aliás, nem teria como afirmá-lo. Mas as suas frequentes viagens, a sua visão alargada do mundo que faz de Portugal a sua casa, o jornalismo que abraça e uma pesquisa intensa fazem com que tenha sentido que conhecer Ema, uma das personagens principais, foi perceber mais um pouco como é a Raquel.

Ema e Samuel, um amor que é feito de desencontros, de palavras não ditas, de uma paixão que se toca mas que se repele com a mesma intensidade. Feito de silêncios, feito de gritos que não se dão mas que se sentem. “Tanto silêncio num amor por viver”. Paralelamente a este amor, vive-se também um amor por Portugal, pela sua história. Amor grande, sentido sobretudo por aqueles que estando fora conseguem olhar mais para dentro deste país e amá-lo de uma forma diferente. Amor de quem viaja muito também.

Gostei da forma como, quase por magia (têm de ler o livro porque não vou denunciar como…) a autora soube “esticar” os personagens e a sua história! Um livro onde há uma continuidade entre o “ontem”, o “hoje” e o “amanhã”, nada surge por acaso, nada é deixado de lado. Gostei também dos nomes peculiares que os personagens secundários possuem. Porque eles são isso mesmo, secundários. Giram em torno de Ema e Samuel. Faz todo o sentido que tenham esses nomes!

Curiosos? Pois terão de espreitar o livro. Mais, aconselho-vos a ler. Com calma para que possam degustar desta viagem que é este livro. Por Portugal sim, mas também pela História.

Terminado em 29 de Junho de 2014

Estrelas: 5*+

Sinopse

Mar Humano parte da ligação turbulenta entre duas pessoas e penetra em temas como a longevidade da vida humana, a responsabilidade que os sentimentos acarretam, a luta pela liberdade de expressão e o impacto da ciência na evolução da consciência. Um brinde à coragem de cada indivíduo em ser autor da sua própria vida.

 

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