Biografia involuntária dos amantes, de João Tordo

biografia
Há o amor. E depois há algo a que muitos chamam amor, que consideram amor mas que mais não passa de loucura ou de obsessão ou simplesmente de solidão. Por vezes a ideia do amor é tão forte que a nossa própria história se transforma para dar lugar à história de uma amor inexistente, ou que existe somente dentro de nós. E convencemo-nos que sempre assim foi. E por este “desamor” somos capazes de perder tudo, a vida ou pior… perdermo-nos na nossa própria vida.

E depois há o momento. Ou os momentos. Aqueles momentos que mudam o curso de uma vida. Aqueles momentos banais, que nos apanham desprevenidos, sem defesas e que, simplesmente, nos transforma noutra pessoa.

E ainda há o sentido da vida. Aquele que nos faz acreditar num futuro. Aquele que nos faz ter orgulho em nós próprios, que nos ancora à vida.

A primeira metade deste livro não foi fácil de ler. Custou-me. A história não me prendeu, nem sei bem porquê. Talvez o tom acinzentado do livro me tivesse incomodado numa altura em que tinha tão pouca disponibilidade para ler.

Mas a verdade é que depois a li tudo num instantinho. E gostei. Mais ou menos. É que raramente se fala de coisas bonitas neste livro. Viramos páginas à procura dos porquês, sabendo que estes são feios, macabros. Afinal sabemos o final pouco tempo depois de termos começado o livro. Ou pelo menos é disso que a sinopse nos convence. Mas depois descobrimos que não.

Depois de ler este tipo de livro e de deixar assentar a poeira fico sempre com a sensação de que estou a fazer um grande filme ao imaginar segundos (e terceiros sentidos), histórias atrás de histórias e que na realidade o autor não quis nada fazer jogos de palavras, quis mesmo foi contar uma história linear (bem, mais ou menos) em que um professor universitário, de quem me “foge” o nome – tenho para mim que nem sequer foi mencionado no livro ou se calhar foi, muitas vezes, e eu é que deixei passar para depois ver alguma ironia nisso mesmo – e que vai à procura de respostas pelos 4 cantos do mundo e acaba por nos contar “ a biografia involuntária” de dois amantes e de algumas personagens que os rodeiam.

De qualquer forma, e sendo extremamente egoísta, a verdade é que o importante é o que o leitor lê no livro. Tenho para mim que raramente (pelo menos se considerarmos os bons escritores) coincide com a ideia que os escritores tinham em mente mas não faz mal. É essa a beleza da literatura, fazer-nos pensar.

Não é, nem nunca será um dos meus livros de eleição, mas gostei e recomendo.

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