Os Demónios de Álvaro Cobra de Carlos Campaniço

Falar de um livro sobre o qual todos dizem maravilhas não é tarefa fácil. O amigo que mo emprestou, adorou! O pessoal da Roda dos livros que o leu, também.

Pois é! A mim não me conquistou à primeira. Não que a escrita do Carlos seja inferior aos livros bons que tenho lido. Antes pelo contrário! Quem me dera escrever assim: as palavras parecem possuir uma naturalidade e simplicidade que nos cativam, embora aplique termos que não são tão correntes assim… Trabalhar as palavras mas fazer com que elas soem aos outros com “naturais”, não é para todos.

A sua imaginação não tem limites e o irreal torna-se visivel aos nossos olhos como se pudesse na verdade existir. Hão-de convir que alguém “que sofre de febres altas que até incendeia os lençóis” não é uma personagem que podemos encontrar no dia-a-dia! E com personagens tão peculiares, as peripécias surgem em catadupa.

Mas… Algo me manteve alheada nas primeiras 150 páginas desta obra. Não consegui mergulhar no livro e esquecer o que me rodeava tão depressa quanto esperava. Às vezes as expectativas muito altas pregam-nos rasteiras e foi isso que aconteceu.

Mas… Ainda bem que se deu um segundo “mas”! Finalmente consegui ler algumas páginas sem me aperceber da passagem das folhas. O milagre da leitura tinha acontecido!

E cheguei ao fim com uma sensação estranha. Da leitura desta história toda não posso concluir que seja um livro alegre e que nos alente a esperança de dias melhores, embora a imaginação e a magia que nele está contido nos façam sorrir a espaços curtos. Soube-me a pouco, porque depois de me ter esquecido do que me rodeava, queria mais páginas de magia e já não as tive por muito mais tempo!

Quero ler o novo livro do autor que acaba de sair. Será que “Mal Nascer” me vai conquistar logo de início?

Terminado em 3 de Maio de 2014

Estrelas: 5*

Sinopse

A aldeia de Medinas seria um lugar bem mais aprazível não fosse contar-se entre os seus habitantes Álvaro Cobra, um lavrador que atrai fenómenos sobrenaturais e tão depressa é tido por bruxo como por santo: não chorou ao nascer, com um mês já tinha dois dentes, consegue ouvir a Terra girar sobre si própria, tem uma cadela que adivinha o tempo e, além disso, já morreu duas vezes – mas ressuscitou, e desde então um bando de grifos faz ninho no seu telhado. A sua estranheza impediu-o, porém, de arranjar mulher, mas o encontro com a filha de um nómada que vende torrão doce na Feira de Setembro promete mudar esse estado de coisas, ainda que a união traga surpresas (nem sempre agradáveis) quer ao próprio lavrador, quer às mulheres da sua família: a bisavó Lourença, que conta cento e cinquenta anos mas guarda invejável lucidez; a mãe, que consegue trabalhar a terra com uma mão e cozinhar com a outra; ou mesmo Branca Mariana, a irmã excessivamente febril que vive prostrada numa cama onde os lençóis chegam a pegar fogo. Do casamento atribulado, nascerá Vicente, o filho de quem se espera uma existência completamente distinta da do pai. Porém, tratando-se de um Cobra, nunca fiando…

 

Ao ficcionar uma aldeia alentejana em finais do século XIX – na qual judeus, árabes e cristãos andam às turras e os mitos ganham terreno à realidade -, Carlos Campaniço oferece-nos uma galeria de personagens inesquecíveis, que vão de um anarquista à dona de um bordel ambulante, e recicla de forma original o realismo mágico para revisitar as virtudes e os defeitos das pequenas comunidades rurais do nosso Portugal.

 

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