Despedida de Casado – Virgílio Castelo

despedidadecasadoJá deveria ter partilhado a minha opinião sobre este livro há alguns dias, mas não sei bem porque não o fiz. Talvez porque não seja fácil formar uma opinião sobre ele. Com ligeireza, posso apontar o que tem de melhor, mas não posso ignorar o que menos apreciei e que suscitou uma leitura de altos e baixos. Momentos de interesse e envolvimento com alguns de desanimo e aborrecimento, a que a minha predisposição e abordagem não são certamente alheios.

Quando deparei com este livro, reparei na capa que achei atractiva e no título que me pareceu sugestivo e sem ler a sinopse pensei que, seria sobre a complexidade das relações afetivas. Mais do que entretenimento, que em determinados momentos também não prescindo, procuro leituras enriquecedoras e gratificantes, sem qualquer critério específico. Com a sinopse fiquei convencida mas, hesitei quando confirmei pela foto da contracapa quem era o autor. Depois, fiquei envergonhada por essa fraqueza.

Não é uma leitura fácil ou leve, sequer fluída, apesar de muito bem escrito. Sentimentos intensos numa relação tóxica e desequilibrada. Uma tragédia amorosa quando se aproxima o fantasma do divórcio depois de sete anos de matrimónio entre duas personagens mediáticas. A vertigem do sexo adiou o inevitável desfecho. Um final imprevisível, se considerarmos a tentativa de suicídio protagonizado nas primeiras páginas, mas que muito me agradou.

Apesar de o autor negar, talvez tenha algo de biográfico. Li “em diagonal” uma entrevista numa qualquer revista semanal e o conceito de felicidade que definiu captou-me a atenção. quando li este fragmento.

“Sempre achara ser feliz um objetivo infantil e quase estúpido, na medida em que só um alheamento total do mundo à nossa volta, poderíamos, talvez, atingir um estado de maravilhamento permanente, capaz de nos fazer detentores desse privilégio divino: parar o tempo, definir o espaço, e inventar o modo. Mas, apesar de a humanidade ter vindo a conquistar cada vez mais céu, de há milhões de anos para cá, a verdade é ainda mais prosaica: é muito difícil sermos deuses, por mais que a gente o queira, ou até mereça.”  (pag. 237)

Um romance que não é consensual. Tanto pode ser muito apreciado pelo leitor como nem tanto. O enredo foi o que menos me cativou mas a escrita cuidada valorizo e admiro.

Sinopse:

Morrer por amor. Numa fria madrugada, num ato de loucura, João e Beatriz decidem suicidar-se para eternizar o seu amor, tornando-o assim perfeito. Imortal. Na escuridão da planície alentejana entram nos seus carros e aceleram vertiginosamente um contra o outro. Mas João, no último momento, decide reescrever o seu destino.

Para isso será necessário uma despedida. Do casamento, de Beatriz, de uma relação perigosa, baseada na obsessão e no ciúme descontrolado. Despedir-se sem olhar para trás e partir numa longa viagem em busca de si próprio, da sua essência e de uma nova forma de amar, até agora desconhecida. Um amor puro, sem sofrimento, nem ameaças, capaz, quem sabe, de o fazer verdadeiramente e apenas feliz.

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