Vidas Surpreendentes, Mortes Insólitas da História de Portugal – Ricardo Raimundo

Vidas Surpreendentes Mortes Insólitas

“Se este livro contribuir para despertar o interesse por uma ou várias figuras, que são o nosso património histórico, levando o seu leitor a querer aprofundar as informações sobre elas, ou trazer ao seu conhecimento personagens até então pouco iluminadas pela nossa historiografia, então o nosso objectivo pode dar-se como cumprido.” Como refere o autor na introdução e, para mim, o objectivo foi totalmente cumprido e gostei muito de o ler e recomendo entusiasticamente. Foi engraçado lê-lo logo a seguir ao “Homens, Espadas e Tomates” porque me deu toda uma outra perspectiva, acho que mais verdadeira, dos portugueses.

Nem todas as pessoas mencionadas tiveram uma morte insólita, judeus queimados pela “santa” inquisição não era uma morte insólita mas sim bastante vulgar na época, mas todos tiveram uma vida surpreendente sem dúvida.

No entanto, antes de chegar ao conteúdo vou mencionar a forma, este livro tem cerca de 30 páginas de notas que não estão distribuídas pelas páginas onde são mencionadas mas sim no fim do livro, e não são notas daquelas bibliográficas mas sim notas com sumo e conteúdo importantes para o que se está a ler, o que significa que temos – sempre – que ir ao fim do livro ver os micro números e respectivas notas enquanto estamos a ler o livro. É uma seca do caraças. Depois algumas notas, contei 6 num total de 54, têm o nome ou o número trocado e mais umas coisitas pelo meio. Pode não parecer muito mas não abona nada a favor da rapariga que fez a revisão.

Voltando ao que interessa, o conteúdo, fiquei a saber muito sobre várias personagens da nossa história e muitas das quais marcam as nossas ruas, pracetas, rotundas, estações de metro… inclusive sobre Antero de Quental que dá nome à praceta onde vivo. Começa com o Martim Moniz e termina no Joaquim Agostinho. Um dos meus preferidos é o Pedro Hispano ou o Papa João XXI que além de Papa era cientista maluco e fez o laboratório, e a ele próprio, ir pelos ares.

Aqui também contam a vida de Duarte de Almeida, o Decepado, que com muita coragem e mesmo sem mãos nunca deixou cair a bandeira real, contado tal como no “Homens, Espadas e Tomates”, mas que aqui acrescentam: morreu na miséria, esquecido pelo Rei e pelos camaradas de armas.

Achei curioso também como estes dois livros se referem a D. João de Meneses e ao seu envolvimento na morte do príncipe D. Afonso, filho de D. João II. No “Homens, Espadas e Tomates”: “D. João de Menezes, horrorizado por semelhante fatalidade, afastou-se da corte, procurando razão para a continuação da sua existência na defesa das praças portuguesas em África”. No “Vidas Surpreendentes, Mortes Insólitas na História de Portugal”: “D. João de Menezes, certamente receoso de alguma represália, por parte do espírito irascível de D. João II, fugiu sem deixar rasto e só muitos anos mais tarde foi mandado regressar à corte, já com D. Manuel I”. Interessante, não?

Outro tuga, dos meus favoritos, é Bartolomeu Dias. Conhecido por passar do oceano Atlântico para o Índico cruzando o Cabo das Tormentas, morreu naufragado na segunda vez que passou o cabo, quando já sabia o caminho e o cabo já se chamava “da Boa Esperança”…

Temos também D. Pero Fernandes Sardinha enviado pelo Rei para a diocese de S. Salvador da Bahia, Brasil, queria converter os ameríndios à força não os considerando sequer seres humanos. Foi morto e comido num ritual antropofágico por uma tribo dos ameríndios que era suposto converter. Acho que os seus métodos não lhe deram os resultados que esperava…

D. Maria II, para quem se lembra que já tivemos o nosso próprio dinheiro, estava nas notas de 1000 escudos e morreu, aos 34 anos, no parto do seu 11º filho.

D. Francisco da Costa, foi negociar a libertação de 80 fidalgos feitos prisioneiros na batalha de Alcácer-Quibir, libertou-os ficando como garantia e morreu na prisão porque os senhores fidalgos, depois de estarem de volta a Portugal, esqueceram-se dele.

Luís da Câmara Pestana médico, amigo e colega de Ricardo Jorge (o do Instituto), morreu aos 36 anos de peste bubónica porque não usou luvas para obter amostras de cadáveres infectados.

Carlos Burnay da Cruz Sobral, morreu em Moçambique quando tentava caçar o seu 13º leão. Ganhou o leão.

Luísa Todi cantora lírica fez uma carreira internacional estrondosa. Em Portugal precisou de uma autorização especial para cantar em público, o que era proibido às mulheres. Morreu praticamente cega e com grandes dificuldades económicas.

Em resumo são 55 personagens que valem a pena conhecer, algumas ficamos com muita vontade de saber mais. Lendo a história da vida destas 55 pessoas concluo que governantes mesquinhos que usam as pessoas e depois as deixam na prateleira não é de agora, alguns dos nossos melhores artistas serem maltratados e viverem na pobreza também não é de agora e a igreja ser responsável por assar na fogueira pessoas de valor parece ser a única coisa que, felizmente, mudou com o tempo.

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